Amor e Solidão
- Manuella
- 12 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Quando eu nasci o dia estava quente, era verão e o sol brilhava, os pássaros cantavam músicas de amor, e meus pais me viam pela primeira vez.
Eu cresci cercada de família e amigos, minha infância foi perfeitamente normal, eu tinha um cachorro e um irmão, assim como todas as outras crianças na minha rua. Na adolescência a normalidade continuou, eu tinha uma melhor amiga e um namoradinho, assim como todas as meninas da minha sala.
Meu primeiro namorado disse que me amava na primeira semana que estávamos juntos, eu acredito nunca tê-lo amado de volta, mas repetia as palavras como uma melodia que um dia eu aprendi a cantar. Quando nós terminamos eu tentei sentir tristeza, pois achei que seria o adequado, porém nunca chorei de saudades, nunca desejei ligar de madrugada. Nosso término foi como um fim de contrato, um ciclo certo de se encerrar.
Alguns anos depois eu conheci outro menino, as coisas nessa época já eram mais complicadas, as possibilidades eram maiores, nós poderíamos ter sido tudo, mas ele quis ser meu namorado.
Esse eu te amo demorou um pouco mais, veio quando comemoramos 1 mês de namoro, eu ainda não sentia o mesmo, mas pensei que se eu continuasse me esforçando um dia eu iria entender o que causa tanto sofrimento nos artistas torturados, eu iria entender o amor.
Meus esforços não foram poucos nem foram fracos, tentei por muito tempo dizer eu te amo e sentir verdade, me enganei de certa forma que amar era aquilo, aquele ruído que se escuta quando tudo à sua volta está quieto. Tentei procurar nas músicas algo que definisse o que eu sentia, nos livros procurei pessoas incertas, mas todos que amavam pareciam fazê-lo em tamanha intensidade, como se uma pessoa pudesse transformar o mundo em tons vibrantes. Terminamos no sol de fevereiro, com a mesma sinfonia feliz do dia em que eu nasci, corri novamente, encerrei outro contrato e fingi sentir-me perdida, mas a verdade é que sozinha eu me sinto completa.
Imagino, talvez, que seja coisa da idade, ninguém ama assim, tão novo, mas não posso mentir que receio nunca um dia amar.
Nas noites mais quietas eu abraço o vazio e sonho que amo alguém, visto minha solidão e finjo sentir saudades. No silêncio eu acredito que posso amar.
Cleber

Adorei como terminou o texto! Amarrou bem!
linda crônica, amei a frase final.