Armadilha
- Sabiá Romã
- há 20 horas
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Não sei dizer se foram as palavras de incentivo exacerbadas ou os gestos de carinho que buscavam me consolar, provavelmente a combinação de todo o apoio que me cercava, a situação em sua totalidade me enchia de sentimentos negativos. Eu havia falhado de novo, não merecia ser amada, e sim condenada. E faria o possível para alcançar a justiça.
Cada lembrete de que eles continuariam ao meu lado mesmo que eu fracassasse dez, vinte ou trinta vezes era respondido com sarcasmo e depreciação às minhas próprias capacidades, eu não queria essa credibilidade, não era digna de nada disso. Quanto mais amor eu recebia, mais desprezo era devolvido, como flechas embebidas no veneno amargo das minhas próprias decepções. Eu não queria ser acolhida, buscava desesperadamente o desprezo, a ponto de começar a questionar se todo aquele carinho não era na verdade uma armação irônica com o intuito de me fazer sentir inferior por não conseguir conquistar nada.
Acontece que todo o afeto reservado a mim sempre foi genuíno. Mesmo com os erros, mesmo com as falhas, no fim das contas, a única pessoa arquitetando armadilhas contra mim era aquela que eu acreditava poder confiar incondicionalmente, eu.
— Sabiá Romã

Me envolvi no texto facilmente, ao ponto de esquecer o tema principal, até q quando cehguei ao último parágrafo retornei a trajetória inicial. O seu textos fez um ciclo perfeito. MUITO BOM