Belo mundo, onde você está?
- gabriel gonçalves
- 27 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Quantas vezes já me autossabotei ao longo desses anos? Acredito que isso de certa forma está na historia da minha família quando olho para trás e vejo as escolhas que meus pais e avós fizeram. Me pergunto se eles na verdade não escolheram a vida infeliz que levam. Meu pai poderia ter tido uma carreira melhor se não tivesse escolhido ficar no Rio de Janeiro para cuidar de uma família que na realidade nem precisava de cuidados, minha mãe poderia ter um emprego se não tivesse cedido a sua doença e recusado as ofertas. Minha avó poderia viver bem financeiramente se não tivesse gastado seu dinheiro com bobagens e obras que não levaram a lugar nenhum. Todas essas referências sempre me levaram a buscar pelos piores caminhos, é como se fosse uma forma de continuar o legado da família, eu não me saboto sozinha, a minha família faz isso por mim também. Toda vez que um de nós está feliz, outro sempre faz algo para mudar isso, seja mudando o tratamento, exigindo algo novo ou apenas lembrando que o que você está fazendo não é bom o bastante. Acaba que quando você se acostuma a viver em um meio infeliz, a felicidade é errada, é algo sujo. Então, toda chance de alegria é jogada fora, todas as vezes que tive amigas que aparentemente gostavam de mim, uma paranóia se instalava na minha mente de que elas iam me abandonar, então eu ia embora primeiro. Todas as minhas conquistas não eram o suficiente, eu precisava que elas fossem dedicadas a alguém porque eu sozinha nunca seria capaz de fazer nada grande. A autossabotagem faz com que você deixe de ser você, porque às vezes você não é merecedora da sua própria existência e então, uma
vontade silenciosa de terminar com ela começa a preencher seu peito e te sufocar de madrugada. Tenho mentido para mim, acho que meu objetivo não é ser feliz.
- Carrie Grant


Nossa, como somos tão parecidos!! Me identifico demais com você e com a maioria dos seus textos, sempre muito bem estruturados e elaborados!
a gente fica tão acostumado com o pouco ou nada que quando surge algo realmente prazeroso ou bom pra nós, fugimos. me identifiquei muito com seu texto, parabéns.
A última frase do seu texto ficou comigo, uma forma perfeita de encerrar e eu adorei a musicalidade da frase, que quase rima
"Acaba que quando você se acostuma a viver em um meio infeliz, a felicidade é errada, é algo sujo". Você acaba se acostumando a pisar em um chão de pregos, como se desde de sempre o piso fosse aquele, como se não fosse possível fazer uma reforma. A falta de felicidade e reciprocidade é de fato algo perverso.