Camaleão
- Manuella
- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Rebeldia buscando tornar-se ordem. É uma definição aberta, não pode ser atribuída a apenas um arquétipo, lendo as minhas crônicas vejo-as como camaleões, não parecem ter um estilo, cada uma parece se encaixar em diferentes faces, diferentes máscaras, porém com um fator comum entre si, uma vaga melancolia. Para me fechar em um casulo, basta uma causa, não precisa ser real, basta ser causa. Percebo essa facilidade de cair no cinismo e no desespero, sinto que os momentos felizes podem ser apenas placebo, é essa constante de masoquismo que me faz Órfão, desde a primeira vez que ouvi, já sabia do meu arquétipo.
A melhor posição em um pódio não pode ser a primeira, ela gera expectativa para o que vem a seguir, pressão de se manter no topo; a segunda é ainda pior, pois podia chegar no topo, ainda será visto com pena por muitos, esperam uma vitória na próxima, porque esse é o caminho que o Herói seria acostumado a levar, nem todos conseguem ser o Herói; a terceira é a menos pior, é um intruso no local, não estava na final para merecer estar alí, mas ninguém se importa com o terceiro lugar, por isso é o menos problemático; existem algumas formas de desviar a atenção de uma pessoa para as minhas falhas, pode esconder em uma falha mais boba, como escrever algo que parece confuso ou errado, ou usar da ironia, uma camada que esconde o anseio por segurança.
Ser visto nunca me pareceu seguro. Sempre se relaciona a pressão de cumprir expectativas, uma mania sem sentido de se sentir observado a todo momento. Estar importa mais que ser muitas vezes. Mas, por sentir medo, consigo me importar, consigo ouvir e estender a mão, até o braço se for necessário. Não tenho um sonho distante, mas não hesito em apoiar de toda forma que puder sonhos daqueles ao meu redor. Quando era criança pensava que poderia ter um propósito especial ou algo do tipo, o mundo tenta passar essa impressão, mas não são todos que tem permissão de participar dele. Escolhi Rick Deckard como pseudônimo por ter Blade Runner como uma das minhas franquias favoritas de ficção, mas acho que a jornada de K me passou a mensagem mais importante, a vida tem um sentido se dermos esse sentido a ela, é uma escolha que leva a autossuficiência, pelo menos sentimental.
Rick Deckard

Achei o texto bastante introspectivo e existencial! Ficou bem construído !