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Competição

  • Marília de Dirceu
  • há 23 horas
  • 1 min de leitura

Sendo totalmente sincera com todos, inclusive comigo mesma, eu me amo mas não consigo me entender. Tem tanta coisa boa acontecendo. Nova cidade, novo momento, e mesmo assim, não me sinto satisfeita. Não entendo o porquê de sentir que a felicidade me faz fraca ou desprotegida. Pior ainda, não entendo a minha insatisfação com a felicidade, com a paz e com a sensação de ter chegado onde queria. Tem sempre alguma coisa. Algum detalhe minucioso em meio às coisas boas que me faz repensar tudo. Um dia bom pra mim vira somente um momento ligeiro enquanto um momento ruim é reproduzido pela minha mente por dias seguidos. Minha mente me tortura pelo desejo de perfeição. Pela versão minha irrealista que consegue ser tudo que eu não sou. E pode ser que isso tenha começado na minha própria casa, quando as minhas conquistas não passavam de assuntos triviais como a fofoca do final de semana. Ou talvez na igreja com a sua apreciação pela provação. Sofrer era algo bom e estar passando por um momento ruim era considerado ser alguém forte o bastante para aguentar tal, o que me aproximava mais de Deus, –considerando isso agora, não sei como dizer isso a uma criança parece certo.


Eu sou minha maior adversária. Sou eu que ponho as pedras nos meus bolsos antes de entrar na água ou corto os freios do carro antes da corrida. Estou numa longa competição de saber quem é mais forte, eu ou meus pensamentos.


Marília de Dirceu

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