Copos
- gabriel gonçalves
- 27 de out. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Sabe aquele lance de ver a metade cheia do copo? Para mim, essa metade nunca
importou.
Em um jogo de copos, eu sou aquele que explode do nada, aquele que corta sem perceber,
e faz sangrar, causando aquele corte em que você só vê quando começa a doer.
O motivo que me faz cortar? Um botão. Um simples botão de autodestruição que eu ainda
não sei desativar. Um botão meu.
Em uma das histórias, Eu encontrei o amor. Fato inédito para um copo autodestrutivo. Não
foi fácil, ao colocar os pés nessa água eu temi o afogamento, eu tremi ao frio que ainda não
tinha chego, lamentei as rugas que viriam ao meu dedo ainda liso. E como se não houvesse
mais maneiras de lidar com esse amor, eu saí da água. Apesar que não por falta de amor,
cuidado e segurança do outro mas por falta de amor, cuidado e segurança comigo.
O amor que tanto esperei, veio, e eu nem nele entrei.
e se eu me afogar?
e se eu tremer?
e se rugas aparecer?
e se eu não alcançar o fundo?
e se eu nadar sozinho?
e se?
Eu, que esperava tão pouco, conheci o muito e por mil questões, fugi dele. Eu, tão jogado,
conheci o conforto do carinho e não me agarrei a ele. Eu copo autodestrutivo estourei…de
novo,
e me cortei com os meus próprios cacos.
- Agenor de Miranda


esse "e se" me causa muita ansiedade, pensar que tudo pode dar errado me assusta também. adorei a crônica agenor
Essa questão do "E se" sempre vai perturbar a mente de um copo quebrado, me identifico com isso, Agenor
a crueldade do que poderia ter sido costumava me consumir, também me machuquei com meus próprios cacos. mas sempre cicatriza, sempre há um novo amor a espera, nos resta saber lidar com a complexidade dos erros e acertos. ótima crônica.
MUITO LEGAL EU AMEI ,SUPER ME IDENTIFIQUEI
achei muito inteligente a forma como você construiu a crônica!