Criatividade para a desculpa
- gabriel gonçalves
- 27 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Quando vi faltavam 40 minutos para acabar o campeonato, o ginásio do simpático Grajaú se enchia de familiares e amigos. Mal sabiam que eu iria tropeçar na própria confiança.
Durante todo o campeonato os meus dias preferidos eram os de treino, enquanto o time se coçava à espera de um jogo eu preferia a zona de conforto. Sorria, brincava e jogava bola, esse eram seus dias especiais de treino. Mal sabia que esse desânimo para os jogos já eram sinais de desconfiança.
Todo final de semana tinha jogo, eu ia como se fosse pra cumprir obrigação, não tinha aquele sangue no olho de ganhar, a competitividade já se esgotava dentro de mim. A bola rolava e ali eu ia decidir se jogaria ou não, obviamente diante de tudo que já descrevi, só entrava bem com cenário de goleada, sem peso, na zona de conforto! Mal sabia que essa desconfiança vinha se tornando uma bola de neve.
Durante os jogos “lá e cá”, eu me reprimia quando o treinador me acionava, ou entrava já com medo de fazer uma besteira e entregar o jogo ou inventava alguma desculpa para não jogar. Achava isso normal, preferir ficar no banco e aguardar ansiosamente o final do jogo para recomeçar a semana de treino. Mal sabia que chegaríamos a final.
Portanto, até ali estávamos ganhando a maioria dos jogos e a minha autossabotagem não era crucial no resultado do time. Até que no final do primeiro tempo o meu técnico chama meu nome, jogo 1 a 1, eu não queria entrar de jeito nenhum, me via despreparado para aquela situação e com medo de arruinar tudo. E a história se repetiu, dessa vez eu estava com uma suposta dor de barriga e pedi para não entrar. No final do jogo veio o arrependimento, medalha de prata, que dor, minha desconfiança me autossabotou, eu não ajudei o time em nada e acabamos derrotados. Serviu de aprendizado para trabalhar essa minha confiança até mesmo durante os treinos e a partir dali minha competitividade iria voltar a florescer. Mal sabia que aquele campeonato martelaria minha cabeça, agora já estava feito.
- Antonio Alberto


me sinto assim também quando tenho que falar em público ou algo do tipo, sempre inventando desculpas para não fazer
Sei como é. Não participei exatamente de jogos, mas já senti uma certa insegurança diante de eventos em que fui convidada à apresentar ou mesmo fazer discursos. Hoje, tenho mais confiança para lidar com essas situações muito devido a uma prática que adotei como forma de desenvolver a autoconfiança: o famoso "Dane-se o que vai acontecer se eu não for tão bem agora, sempre serei capaz de melhorar". Depois de um tempo, percebi que era um conceito bastante libertador. Talvez você devesse colocar em prática algo parecido ou, então, encontre uma outra forma de controlar esses sentimentos e, devo acrescentar, boa sorte no processo. Um belo texto, por sinal.