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Crônica

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 28 de set. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 18 de nov. de 2023

Essas palavras são sobre a falta. São sobre aquela espécie de vazio que eu sinto quando penso sobre você e em todas as possibilidades que poderiam ter acontecido. Eu não desejaria que nada fosse diferente, ou eu não seria eu, mas é impossível negar que eu já me peguei imaginando muitas vezes como as coisas seriam se você fosse presente. Porque a falta da qual eu escrevo aqui não é aquela que você sente quando não tem mais a pessoa com você, mas sim quando você convive com ela e mesmo assim ela não se faz presente. E o que é estar presente? É estar junto, viver os bons e maus momentos, compartilhar uma história e uma conexão. Isso é o que nós, humanos, somos: um embaralho de conexões. Infelizmente, mesmo que o sangue que corre em minhas veias seja o mesmo que o seu, eu acho que essa é a única conexão que compartilhamos. Eu te vejo todos os dias e nós nos cumprimentamos, mas nunca conversamos de verdade sobre nada. Eu não sei sobre a sua vida antes de eu nascer, você nunca me contou. Eu não sei o que te move ou quais são seus sonhos. E da mesma maneira, você nunca perguntou os meus. Você não interfere nas minhas escolhas, o que eu agradeço, mas muitas vezes você não está lá para comemorar comigo ou emprestar seu ombro para que eu chore. E se eu for ser franca, eu prefiro esconder meu choro do que me mostrar vulnerável na sua frente. Eu não sei se um dia já foi diferente, se foi eu não lembro, e das minhas lembranças eu não tenho abertura com você e não entendo as suas alterações de humor bruscas ou porque você parece dar mais importância para outras pessoas do que pra sua própria família, pai. E eu estaria mentindo se dissesse que não guardo rancor ou que as datas que te envolvem são tranquilas para mim. Mesmo assim, eu espero que eu consiga entender. E principalmente, que eu consiga te perdoar e perdoar a mim mesma. Espero que você se desculpe assim como eu faço agora neste compilado de palavras. Eu peço desculpas por não conseguir te entender. E que mesmo que nós não sejamos como nos comerciais, que ainda possamos construir algo bom e que a palavra “pai” não continue sendo tão amarga.


- Motoserra

1 comentário


Chapeleiro Intelectual
Chapeleiro Intelectual
04 de dez. de 2023

Sinto muito , meu pai é vivo mas me sinto órfão de amor infelizmente não sou o filho que ele tanto esperou e sempre me culpe por isso

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