De mim para mim mesmo
- gabriel gonçalves
- 29 de set. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Durante toda a minha vida, sempre fui aquela pessoa que pensa bem mais no futuro do que no
próprio presente (um agradecimento especial a ansiedade). Os muitos “e se” surgem na minha
cabeça, com pensamentos de que consequências ruins podem acontecer caso tome alguma
decisão que possa parecer errada, porque há o medo de arriscar. Na maioria dos casos,
quando respirar fundo, fechar os olhos e tentar se tornam uma opção, as situações nem
sempre saem da forma em que a minha inimiga imaginação planeja.
A rotina leva ao comodismo. O comodismo leva ao medo de errar. É muito mais fácil
permanecer onde está, sem muitas novidades, mas “seguro” de que ali é seu lugar, por receio
do que a novidade pode trazer. Receio do que a vida pode preparar caso decida mudar.
Ao mesmo tempo, há o anseio pela curiosidade e liberdade de fazer o que realmente quer. No
imaginário, tudo parece ser mais simples. Enfrentar o medo parece ser algo que pode ser
resolvido num piscar de olhos. Mas os “e se” vão pairando pelo ar, causando intriga entre a
razão e a emoção.
Às vezes é difícil voar alto. É difícil se desprender de algo que esteve na sua vida boa parte do
tempo. Ou de alguém. Mas o mais difícil ainda, é viver com incertezas e dúvidas de seus
sentimentos e (possíveis) escolhas. Como abrir o jogo sem causar mágoa? Como agir com
naturalidade enquanto há uma briga interna entre razão e coração? Será que essa seria a
decisão certa? Como se acostumar com a vida após cada um partir e seguir o seu rumo?
Peço perdão por o problema ser eu. Perdão por não corresponder da maneira como espera.
Perdão por não conseguir me abrir como deveria. Perdão por não querer te magoar, mesmo já
magoando. Devo sentir culpa? Ou isso faz parte? É ingratidão minha? Me perdi ou isso é um
processo natural de toda relação?
São tantas dúvidas que poderiam ser solucionadas com facilidade se houvesse mais coragem.
Ousadia. Sinceridade. E a vida vai passando enquanto a gente fica paralisado no tempo,
esperando que o dia e hora certa chegue e a gente consiga arriscar.
O único problema é: quando?
- Wintour


ótima crônica! me fez lembrar de quantos momentos eu já deixei de viver e de coisas que já deixei de falar justamente devido à falta de coragem e de sempre me perguntar "e se isso acontecer?"
faço das suas palavras minhas. vivo uma vida esperando o momento certo, o momento certo de fazer coisa X ou Y, o momento certo de usar tal roupa de tomar uma iniciativa, de fazer alguma coisa e chega uma hora que a gente olha para trás e não viveu nada por que sempre deixou pro futuro e pro momento certo.