Em um imenso mar de palavras
- Manuella
- 19 de set. de 2025
- 2 min de leitura
É contraditório. Eu assumo isso a partir do momento que começo a dar vida e significados a
um texto que jamais cogitei em escrever. É contraditório porque se eu amo, eu não tenho
motivos para temer. Estou igualando ou pedindo, com todo o respeito, que uma comparação
seja feita. Talvez não precise de muito para entender, mas sinto que para expressar o que esse
sentimento representa, eu necessito de um objeto físico. Uma faca? Uma lâmina? Quem sabe
até uma espada. Enfiaram esses instrumentos em meus sentimentos. Enfiaram com tanta força
que fui capaz de pedir para morrer, mesmo que nenhum pingo de sangue tivesse sido
derramado de meu corpo. Era tudo emoção. Era tudo sensação. Era sufocante.
Quando fui capaz de caminhar, mesmo que devagar, eu pude entender os motivos pelos
quais eu não dormia, não comia e às vezes nem viver me satisfazia. Era tudo muito rígido, era
uma sociedade muito inflexível. E quando se dá ouvidos, você é capaz até de desistir daquilo
que te dá motivo para querer existir, pois em cabeças doentias, você é o paciente da vez, não
eles. E eu, por acreditar em quem não devia, abandonei um dos meus maiores sonhos, seguir
carreira de atriz. Abandonei com tanta dor que não fui capaz de proferir palavra nenhuma, até
que encontrei refúgio, abrigo e romance na escrita. Ela me alivia, ela cuida das minhas
feridas, ela é minha amiga, mas ela também me paralisa.
Paralisa porque o medo de dar errado novamente é tão grande que fui capaz de esconder o
que eu escrevia até agora. A escrita é o que tenho de mais verdadeiro dentro de meu ser e me
apavoro só de pensar que, talvez, tirem ela de mim também. Tirem através de tantas brechas e
fraquezas que pude demonstrar pelo caminho, sem perceber. Mas uma coisa preciso dizer,
somente as minhas pessoas liam o que eu escrevia e sabiam que eu também queria ser
escritora. No entanto, vocês estão me ajudando a atravessar um rio imenso, sem saberem da
dimensão que isso significa para mim. Pessoas que não conheço estão lendo, pela primeira
vez, algo que eu escrevi. E isso não me assusta mais.
Antonella Costa.

Gostei porque dá pra sentir o peso real do medo e, ao mesmo tempo, a força de continuar criando. Fica impossível não se identificar com isso.
Que bom poder ajudar a “tirar” um pouco desse medo, porque honestamente seria um desperdício você parar de escrever. Se servir tambem de ajuda, afirmo que leria um livro de crônicas suas sem pensar duas vezes.