Entre o exagero e a simplicidade
- gabriel gonçalves
- 3 de nov. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
De frente para a Baía de Guanabara, olhei para o relógio e ainda são seis horas, sentado
entre duas árvores me lembro de você.
Me lembro, pois nos vejo nelas.
De um lado, eu, o exagero. Grandes folhas, galhos espaçados, raízes expostas.
Do outro, você, a simplicidade. Folhas pequenas, galhos finos e unidos, raízes invisíveis.
Ao sentar aqui, me lembro de todos os nossos encontros. Me lembro da sensação das
formigas subindo em nossas pernas. Me lembro do reflexo do sol laranja em seu olhar. Me
lembro do tempo em que esse olhar, era a única coisa que importava.
Hoje, sento-me aqui na tentativa de te alcançar. Na tentativa de viajar para o momento em
que te deixei ir. Sento-me aqui esperando por você.
De frente para a simplicidade, encontro o exagero que no meu peito ainda queima. As luzes
da plataforma de petróleo se tornaram a minha única companhia em uma noite escura e
fria. As ondas que nessa margem se quebram, provocam arrepios em meu corpo
semelhantes ao que você me fazia sentir.
Pego o celular para trocar a música que tocará pela 10° vez, e como ontem…
já passou das onze.
- Agenor de Miranda


ótimo texto. a orla nos deixa nostálgicos
excelente texto. a orla da uff tem esse poder de nos cativar e cativar nossos pensamentos
Agenor, poderia, por favor, parar de escrever sobre a minha vida? Me vi completamente no seu texto. A orla da uff é meio mágica, né? Acho que ela tem esse poder de fazer ótimas memórias que vamos nos lembrar pelos restos dos nossos dias, ainda que as pessoas que as compõem não façam mais tanto sentido no presente. Também sinto que as horas passam de forma diferente por lá, em um único momento de saudosismo de lembranças, 18h podem se tornar 23h. Excelente texto, espero pelo próximo.