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Eu fujo

  • Manuella
  • 19 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Quando falam de medo é fácil pensar em filmes de terror. Mas eu nunca temi monstros, meus medos ficam guardados no meu peito de mãos dadas com as minhas insegurança. Eles se disfarçam de proteção, me privam de viver, me paralisam. 

   Tenho mais medos do que eu gostaria de admitir, mas o que eu realmente temo é algo simples, algo que todos desejam, a intimidade. Saber que alguém quer me conhecer, ver meus defeitos, meu lado ruim, me faz querer fugir. Me abrir para outra pessoa de corpo e alma me parece uma sentença de morte.

   Eu posso ser a pessoa mais honesta do mundo, posso contar cada detalhe da minha vida, minha questão não é segredos, meu problema vem do afeto, do carinho, do beijo na testa. Deixar que alguém me tenha tão vulnerável é assustador. Permitir que decorem minhas pintas, minha rotina, minhas falhas, permitir que me decorem, me parece impossível, no momento em que alguém se aproxima, eu fujo.

   Esse medo me define nos meus momentos de solidão, quando tudo que eu desejo é ser conhecida e conhecer alguém. Esconder minha vulnerabilidade faz com que eu não conheça a dos outros, afinal, não é fácil se abrir com quem não se abre. Dentro das paredes que meu medo construiu eu escondo o meu eu mais íntimo, e então, continuo só.


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