Eu me odeio
- Connell
- 27 de mar.
- 2 min de leitura
Desde que meus pais se separaram, quando eu tinha 7 anos, e desenvolvi compulsão alimentar, odeio meu corpo. Foi assim que cheguei aos 18 anos. Na escola, minhas amigas todas já tinham menstruado, dado o primeiro beijo, ido para “festinhas”, parecia que todas viviam enquanto eu ficava para trás. Mais do que por mim, fico triste pela minha mãe, olhar para como estou agora e imaginar que a culpa é dela, que foi egoísta o suficiente para trair e se divorciar do meu pai sem pensar nas consequências que isso traria para a própria filha não deve ser fácil.
Contudo, não posso despejar toda a culpa na pessoa que já se culpa o suficiente, vejo isso nos olhos dela toda vez que reclamo sobre não aguentar mais ter que me mudar de casa a cada duas semanas. Eu também sou responsável por onde estou. A verdade é que eu realmente me odeio, e isso afeta todas as minhas relações sociais. Minha cabeça simplesmente não consegue imaginar alguém me achando legal ou interessante.
E entre todos os sentimentos horríveis que sinto em relação a mim mesma, o pior de todos é a pena. Pena de mim por ser refém de minha cabeça e esse é o sentimento mais triste do mundo. Uma vez uma amiga disse "você se sente assim porque é mais confortável continuar sentindo pena de si mesma do que mudar para melhor”. Acho que ela tá certa, apesar de ter doído ouvir isso. De certa forma, há uma familiaridade nessa autopiedade que me corrói por dentro.
Meu trauma foi simplesmente crescer sendo eu, tendo meu corpo e minha aparência. Quando se é adolescente e ninguém olha para você com interesse e seus amigos homens te tratam diferente das outras meninas, isso também molda o jeito que você se vê. E hoje em dia, como já falei, essa repulsa que sinto de mim mesma vai acabar com minhas amizades, porque, como confiar em alguém que diz gostar de mim se eu mesma não gosto? Como acreditar em um amigo que diz que sou bonita quando eu não acho? No final, acho que falam por pena, por que eu sinto pena e acho que secretamente me odeiam, porque eu me odeio. Eu odeio o jeito que me mexo, ando, como, respiro, durmo e todo o resto e, infelizmente, encontrei um conforto nisso.
— Connell Waldron

Seu texto é muito pessoal e delicado, gostei da forma como se expôs verdadeiramente sem medo de ser frágil.