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Medo de ter medo

  • Manuella
  • 19 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Medos são sentimentos universais.

Todos temos medo, ou pelo menos eu acho que sim.

Há quem tenha medo de um animal, e há quem tenha medo de ficar só na vida.

O que eu temo pode ser que você não tema.


Em várias fases da vida sentimos medo.

Temos medo de andar.

Temos medo de cair.

Temos medo de chorar em público.

Temos medo de fracassar.


No livro It a Coisa, o medo é o grande tempero da “comida” do Pennywise.

É do medo que ele se alimenta.

E há uma grande diferença nesse sentimento entre crianças e adultos.

Os medos das crianças são mais palpáveis como de palhaço, por exemplo.

Já os dos adultos são mais difíceis de materializar,

pois quase sempre estão ligados a trabalho, dinheiro e profissão.


Quando criança, meu grande medo era falar em público.

Eu tremia.

Chorava.

E simplesmente não conseguia lutar contra isso.

Uma vez fui chamada para explicar um exercício no quadro,

mas não consegui sair da minha cadeira.


Eu não queria falar.

Eu não queria enfrentar.

Eu só sabia chorar.


Esse medo mudou.

Mas às vezes ele volta.

O medo sempre volta.

Não como antes,

mas ele volta.


Hoje, tenho medo de ter medo.

Medo de decepcionar a todos

que durante anos se esforçaram

para que eu estivesse onde estou.

Tenho medo de que todo o sacrifício

dos meus pais possa ser em vão.

Medo de não conseguir um bom emprego,

de não alcançar aquilo que sempre sonhei,

de não me tornar a pessoa

que eles acreditam que eu possa ser.


E se eu falhar?

E se um dia eles olharem para mim

e pensarem que nada valeu a pena?

Esse é o medo que mais me assusta.

Mais do que palhaços,


Mais do que falar em público,

Mais do que cair.

É o medo de falhar na vida,

de não ser quem eu prometi que seria para eles,

e para mim mesma.


Rádio Silêncio

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