Meu Amigo Cronista de Niterói
- gabriel gonçalves
- 28 de mar. de 2024
- 3 min de leitura
Já era tarde e eu ainda estava sentado no terraço do prédio mais próximo da minha cidade, escrevendo mais uma das muitas cartas que tenho enviado para você e refletindo sobre a última carta que recebi de ti.
Cercado pela escuridão noturna, eu admirava o céu e as muitas estrelas que, juntas, formariam um belo concerto de dança, demostrando o seu potencial e sintonia cósmica-estelar.
Era a segunda vez que eu lia aquela carta. Na correspondência, um remetente: Cronista de Niterói. E não, não era uma carta de despedida, eu só achei curiosa demais para ler uma única vez. Sua escrita era bem simples, sem vocabulários muito rebuscados, mas, ao mesmo tempo, muito simbólica ao tratar de coisas rotineiras de forma, eu diria, teatral. Era como um tornado de emoções, uma mistura de sentimentos, guerras conscienciais e existenciais e tudo isso na simplicidade do aproveitar a vida.
Faz três meses que eu tenho enfrentado esse grande desafio que é conhecer um pouco mais sobre você e o mesmo vale para você. Faz três meses que eu tenho trocado mensagens de texto e cartas físicas constantes com alguém que eu nunca vi na vida, mas simpatizo cegamente sem saber o porquê.
Leio as suas cartas e mensagens antigas e penso que, talvez, apenas talvez, você realmente seja quem diz ser em suas cartas, um ser humano com todos os seus conflitos pessoais e inimigos internos. Todavia, de fato, um bom filho, um bom amigo, um bom estudante, um bom escritor, um bom ser humano, mesmo que ainda não tenha se revelado para mim. Uma alma dual, valente, resistente a dor. Alguém que aprendeu com as duras pancadas da vida. Alguém que caiu repetitivas vezes e, em alguns casos, tropeçando na mesma pedra e, mesmo assim, não se permitiu desistir, embora ainda estivesse lutando contra alguns demônios dentro de si.
Um sobrevivente! Alguém que entendeu que, apesar das adversidades e aflições, é preciso se permitir amar e ser amado, embora, algumas vezes, sinta uma insegurança e até um certo medo da rejeição, medo do que a vida lhe reserva. Parece intenso demais e nem sempre aparenta ter sido retribuído na mesma intensidade. Tampouco, parece ter criado coragem para externalizar seus sentimentos mais genuínos e verdadeiros, muito embora se sinta mais confortável para externalizá-los em segredo.
Amores puros e reprimidos; carinho; apego à família; gratidão e paixão pela vida; amigos leais; encontros com pessoas desagradáveis; dores e cicatrizes; marcas de suas maiores lições de vida; impulsos e repreensões, um amontoado de complexidades e pensamentos em um só corpo, em uma só pessoa e eu ainda nem sei quem é você de verdade.
Jovem em ascensão! Curiosidade em compreender o mundo e os rumos que a jornada do eu e seus vários outros eus irão tomar. Apreciador dos mínimos detalhes como o soprar de uma leve ventania que traz alívio e frescor. Valoriza os tempos de solitude, mas também aprecia os momentos de união com os familiares e amigos. Não é do tipo “perfeitinho", pois, no fundo, a gente sabe que isso ninguém é. Já cometeu erros na vida, e os corrigiu. Dentro de ti, há um coração conflitante, cheio de dúvidas e até meio descontrolado, mas esse coração também é amável, sensível e destemido e, ouso dizer que, humano, simplesmente humano.
A verdade é que você só quer ser livre! No fundo, é o que todos nós queremos. Queremos a liberdade. Queremos encontrar a felicidade. Ser feliz e ver aqueles por quem você tem afeto, um forte apreço, felizes também. E tudo bem, porque é isso que todo amigo quer: ver seu amigo feliz, ainda que ele seja só mais um amigo por correspondência. E é isso que eu desejo a você, Cronista de Niterói, boas experiências e toda a alegria do mundo.
- Daphyinne


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