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Nudez

  • Manuella
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

A água quente beijava os sinais que moravam nos meus ombros. Afagava meus cabelos.

Abraçava a minha cintura. Até eu desligar aquilo que nomearam de chuveiro. Me vestia. Me

cobria. Disfarçava. Seguia. Seguia com uma indispensável companhia. Todos os dias. O riso

se misturou ao choro e meus olhos reconheceram não só a luz, mas também as trevas que

habitavam em mim. O reflexo em espelhos que nunca pensei em me olhar foram amigos ao

me mostrar aquilo que, propositalmente, sempre tentei esconder.

As marcas das minhas atitudes formaram pegadas nocivas, ácidas e amargas. Deixando

buracos. Eu fui capaz de proferir as palavras mais cortantes e querer que, naquele momento, o

que eu desejava de ruim acontecesse. Reconheci, mesmo sem querer admitir, que eu também

fui a vilã da história de quem amei. Era tão cortante assumir que ao pegar uma taça de vinho e

me servir, troquei as bebidas ingerindo veneno, não mosto de uva fermentado. Ali, eu vi o

meu pior lado. Eu fui egoísta. Eu fui ciumenta. Eu fui indesejada.

Ao cobiçar tanto te agradar, eu fiquei com medo de te perder e comecei a almejar que seu

coração me amasse, como eu te amava. Eu não fui apaixonada por você, eu fui possuída por

você. E os defeitos aprisionados foram escancarados. Eu poderia dizer que não me cortei por

amor, mas seria inútil não admitir. Eu me feri para não te ver partir. Que droga de mundo é

esse? Eu me despenquei. Eu ansiava te guardar comigo e te esconder. Eu sonhava em saber o

que a intensidade do seu ciúme por mim era capaz de fazer.

Eu poderia encarar o reflexo em diferentes espelhos e dizer: essa não sou eu. Mas minha

mente grita apoiando a razão. Meu ciúme. Meu egoísmo. Eles também caminham comigo.


Antonella Costa

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