O conflito
- gabriel gonçalves
- 28 de mar. de 2024
- 2 min de leitura
Lembro-me da primeira vez que ouvi sobre a Palestina. Tinha apenas 10 anos, meu pai e seu melhor amigo debatiam sobre história, eles faziam isso toda vez que se encontravam. Esse amigo deu de presente um livro, que estava embalado em um papel pardo, pro meu pai que recebeu aquilo como se fosse ouro. Como uma boa criança curiosa quis saber o que era ele me explicou que era algo que não poderia me dar, e eu não poderia falar pra ninguém que ele possuía aquilo. Era algo que não cair bem se os amigos do trabalho dele com ideais tão de direita descobrissem que ele tinha. A partir daí ele começo a me incluir em seus debates com esse amigo, o conflito Israel X Palestina era algo constantemente debatido. Eles achavam um absurdo tudo isso, mas não falavam isso em público eu nunca soube o porquê. Até um dia falar em alto e bom som em uma aula que isso era injusto com os palestinos e os judeus não tinham pleno e único direito aquela terra, ai sim entendi o motivo de ele ficar quieto. Meus pais foram chamados na escola pela professora que queria entender o motivo de eu achar isso, ela não entendeu quando eu expliquei que em casa meu pai acreditava nisso também, ia contra o que a escola pregava. Fiquei com medo de o meu pai brigar, ele passou o caminho calado enquanto minha mãe brigava com ele e comigo por falar demais, mas chegando em casa ele disse que estava contente por eu me posicionar mas que deveria ter cuidado para não ser mal interpretada. Desde sua aposentadoria meu pai já não tem mais medo de se posicionar, antes ele tinha o rabo preso, mas agora não tem mais. Em seus artigos ele expressa sua opinião clara sobre isso, já até arrumou confusão em seu grupo de antigos colegas de profissão. Recentemente lemos o livro Orientalismo juntos e debatemos, só nos dois já que infelizmente seu grande amigo partiu. A liberdade da Palestina e a crueldade israelense é um dos poucos assuntos que eu, uma menina de esquerda, e ele um cristão de centro direita ( como ele se denomina) concordamos.
- Carrie Grant


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