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O fim de um sonho

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 28 de mar. de 2024
  • 2 min de leitura

O tempo é imprevisível. Incerto. Injusto. Fatídico.

Uma vida inteira pela frente. Uma juventude cheia de sonhos, desejos e ambições que nunca mais poderão ser realizados. Apenas a imaginação do que poderia ser um dia.

A ansiedade e alegria em realização de um sonho, nem sequer chegou a se concretizar. Como pode o tempo ser tão injusto, ao ponto de tirar a vida de alguém que só queria se divertir, sem mais nem menos? Não seria apropriado culpar apenas o tempo por essa fatalidade. A irresponsabilidade, negligência e descaso de uma organização que só pensava em exploração e encher seus gordos bolsos com o lucro alheio. Temperatura marcando 40, milhares de pessoas espremidas, altos valores cobrados por um copo de água, que provavelmente deveria ter uns 300ml, e a falta de estrutura médica capaz de atender 60 mil pessoas. Obviamente não seria humanamente possível aguentar tudo isso durante mais de 3 horas. Mas foi isso que o capitalismo fez. O capitalismo desenfreado tirou a vida de uma menina de 23 anos. Essa mesma que tinha apenas um sonho.

E, do outro lado desse sonho, também havia um outro sonho. De pessoas que a amavam, que a esperavam ansiosamente pela sua volta, aguardando todos os detalhes do tão aclamado dia. O sonho de ver uma filha se formar. O sonho de ver uma filha se casar. O sonho de ver uma filha construir uma vida de sucesso, do jeitinho que ela gostaria que fosse. Não tiveram aviso prévio. Não tiveram o último adeus, o último abraço, o último beijo, o último carinho.

Uma vida roubada. Uma família destroçada. Um sonho inacabado.

E uma empresa que continuará lucrando com corpos gelados.



- Wintour

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