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O fim do mundo

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 28 de mar. de 2024
  • 2 min de leitura

É difícil descrever a sensação de ver o termômetro marcar sensação térmica de 50ºC.

Passa um filme na cabeça, na verdade, passam vários que vi ao longo da vida, sobre o fim do mundo, o apocalipse e cenários distópicos que lembro de pensar “ainda bem que isso nunca vai acontecer” ou “ainda bem que não estarei viva pra ver nada disso acontecer”.

Parece que me enganei, e o fim do mundo aparenta estar cada vez mais perto, se aproximando a passos gigantes e na velocidade da luz. Há 10 anos atrás, imaginar um calor de 40 graus era loucura, e hoje sensações térmicas de mais de 50 graus são a nossa realidade. O “Rio 40ºC” se tornou “Rio 50° C” em 5 anos! Isso não te causa nenhuma ansiedade?

Me assusto ao ver como as pessoas parecem não estar nem aí para tudo que vem acontecendo com nosso planeta. Não é possível que só eu esteja apavorada com as queimadas, com o calor extremo, com as variações de temperatura absurdas no mesmo dia. De manhã, sol escaldante e à noite, ventos frios, tempestade.

Vivo numa linha tênue entre querer estar informada sobre o que está acontecendo e não querer saber de nada para não enlouquecer. Vivo no dilema entre o “dane se, o mundo vai acabar mesmo” e querer fazer tudo ao mesmo tempo e o “meu deus, o mundo vai acabar” e querer ficar deitada na cama pra sempre.

Penso sempre no mundo que quero para as gerações futuras, e definitivamente não é o mesmo que vivo agora. O peito aperta angustiado pensando no caminho que a humanidade está indo. A indiferença pelo próximo, pela natureza, pelo cuidado à saúde, aos animais, à tudo. A sociedade parece retroceder ao invés de evoluir. Conflitos se repetem, guerras por poder parecem nunca ter fim, a exploração ambiental é cada vez mais intensa. E se você for contra ao sistema, tentar lutar contra tudo isso, você é o errado. A desesperança me consome cada vez mais, mas sigo fazendo a minha parte, e assim sigo tentando me consolar todos os dias, mesmo que não mude nada.



- Juno Lino

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