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O nojo que herdamos

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 12 de out. de 2023
  • 1 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2023

Cresci tendo uma mãe extremamente nojenta. Ela tinha nojo de quase todas as coisas

que se possa imaginar, dizia que dar selinho em desconhecido era imundo, corria de

pombos, não me deixava brincar no chão, odiava camarão porque dizia que era a barata

do mar e nunca em hipótese alguma eu poderia beber ou comer no prato de outra

pessoa. Mas a coisa que mais me marcou e me acompanha até hoje é o nojo de privadas

e banheiros. Quando criança, ela dizia que sentar no vaso da rua iria me causar inúmeras

doenças, e não me deixava usar o banheiro a não ser que fosse emergência, muitas vezes

já fiz xixi na calça porque tinha medo de ficar doente. Recordo-me de uma vez que ela

me levantou pelas pernas e fiz xixi quase flutuando sob a privada, porque o banheiro da

casa da minha tia não estava limpo ainda. Quando lançaram um objeto que possibilitava

as mulheres a fazer xixi em pé, ela logo comprou. Era um objeto que cobria a genital

inteira e guiava o caminho do xixi, era terrível. Depois ela entendeu que não era o caso

andar com uma coisa tão grande na bolsa e aderiu os saquinhos, ela cobria a tampa da

privada inteira e dizia que eu sempre deveria fazer o mesmo, por isso sempre ando com

um desses na bolsa. Hoje, carrego comigo esse nojinho de banheiros, sempre que entro

na casa das pessoas a primeira coisa que faço e ir ver o estado do banheiro, na minha

casa ao mesmo tempo em que gosto de limpar o banheiro mais de uma vez na semana,

morro de nojo enquanto faço isso.



- Carrie Grant

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