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O que me garante ser uma pessoa boa?

  • Manuella
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

  Não foram poucas as vezes que agi por impulso e em seguida fui atormentada por pensamentos de culpa, ao me por no lugar do outro. 

    Sempre tive tanta certeza de ser uma pessoa empática, que dá extrema importância aos que estão perto, que quando algo que faço contraria essa ideia, crio milhões de fantasias, reescrevo e reinvento o ocorrido em minha mente para manter a idealização que tenho de mim mesma intacta. 

    Me ponho em um lugar confortável em que arrisco dizer de vítima e quando noto esse comportamento me sinto ainda mais podre, ao dividir a situação com outra pessoa só escolho acreditar quando essa concorda com o que quero ouvir ou o que queria que fosse verdade porque, no caso, sei que não é, quando se está no erro a verdade incomoda e por isso evitamos ouvi-la de outros. 

    O real problema nunca foi perceber que errei essa era a parte "fácil" -a primeira certeza que vinha em minha mente- mas a procura incessante por justificativas, por vezes, injustificáveis é que me incomodava. Lembro especificamente quando fiquei com um menino que uma das minhas amigas mais próximas já havia ficado, eu a amo e jamais queria ter sido capaz de fazer o que fiz, mas fiz e essa é a verdade, meu primeiro impulso após o feito foi mentir, menti para as pessoas que estavam no local e perguntaram, menti até o ponto de acreditar na minha própria mentira mas para ela sabia que ia contar, queria que fosse a primeira a saber e saber por mim, queria assumir a responsabilidade pelo ato porque mudá-lo era impossível, me restava criar coragem para tentar resolve-lo, sabia que tinha errado e feio com uma pessoa que nunca pensei em perder, quis fazer o que fosse mais certo dentro das possibilidades, dar a ela o tempo e a escolha de decidir como iria lidar. Aprendi o poder do perdão do outro de uma das formas mais bonitas a partir disso, mas mesmo sabendo que erros não te definem, inclusive, te ensinam da maneira mais bruta, feroz e marcante como no ditado "quem não aprende no amor, aprende na dor", coisas que já fiz e não me orgulho continuam sendo revisitadas em minha mente.

    Sei que há coisas que não.

aprenderemos sem errar e errar faz parte da vida. Mas o espírito da autocrítica e auto cobrança me fazem companhia de forma bem íntima, por isso quando lembro dessa e outras situações em que o erro foi meu único caminho de aprendizagem me culpo mais um pouco por não ter conseguido pensar o quão evitável e o quanto de arrependimento desnecessário aquela ação me traria antes de fazê-la. E lá no fundo me questiono se não sou mesmo, também, apenas uma pessoa ruim.


Verônicafundo


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