O que os olhos dizem
- Manuella
- 19 de set. de 2025
- 1 min de leitura
Acho que tudo começou ainda criança. Eu era o primeiro da turma. Aquela pessoa chata que lembra o professor que ele passou tarefa e todo mundo tira sarro - com razão. Até que decidi mudar! Não estudaria mais e abusaria da minha própria facilidade em aprender para sacanear na escola e continuar com notas altas. Mas desandou…
Quando começaram a surgir as primeiras notas baixas, eu comecei a ouvir na escola que eles esperavam mais de mim. E em casa se entristeciam porque viam meu potencial sendo jogado, aos poucos, no lixo.
O tempo passou e não eram mais as notas baixas que eu sentia que decepcionavam as únicas pessoas cuja expectativa eu tento preencher. Eram os hobbies, os rolês, as amizades, a sexualidade, a bebedeira, as roupas… nunca ouvi um “não seja assim”, mas as vezes acredito ter percebido um olhar de quem queria que fosse diferente. E isso doeu mais do que o suposto “não seja assim”.
Ninguém nunca me disse que eu decepcionei - e, no fundo, acho que talvez nem achem isso. Mas eu penso, e essa consciência me basta para querer, às vezes, que tivesse sido diferente.
Major Tom

por nos outros nossas próprias "decepções" com ralação a nós mesmos dói, porque é só você se auto torturando sem ter ninguém que possa impedir, já que não é algo exposto