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O ruído do afeto

  • Manuella
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Eu não sei quanto tempo me resta, com cada pessoa que a vida me empresta. Só me resta tentar aproveitar, mesmo quando o peito insiste em calar. A vida não avisa quando vai embora, por isso tento me convencer de que é simples: basta aproveitar cada instante. Mas, no fundo, nunca é tão fácil assim.

Às vezes sinto que minhas palavras me traem. Quero dizer “eu gosto de você”, mas o que sai é diferente, mais áspero, menos doce. É como se houvesse sempre um ruído entre o que sinto e o que entrego. E, quando percebo, já deixei no outro uma marca que não queria deixar.

Parece simples dizer, parece feliz de se pensar, mas cada dia é difícil viver o amor que não sei expressar. A vida me empresta pessoas, e eu tento segurar. Mas cada gesto se torna aposta, cada palavra, disparo em potencial. Carrego meus traumas como arma na mão, atirando sem querer em cada relação.

Carrego isso comigo como quem carrega uma sombra. Ela não aparece nas fotos, mas está ali, acompanhando cada gesto, cada frase solta no ar. Não dá pra fugir de quem eu sou, da essência que a dor moldou.

E, no fim, sobra sempre o mesmo vazio: eu queria que fosse simples, que minhas palavras fossem abraço, não silêncio. Que o que escapasse de mim fosse amor, e não amargor.

A gente só aprende quando vê alguém faltar. Eu valorizo, eu tento mostrar, mas minha forma de amar parece errar.

Talvez um dia eu consiga romper o ruído. É como viver num globo da morte, onde nunca é meu dia de sorte. Nunca sei ao certo o que dizer mas tudo o que eu queria falar era um “amo você”.


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3 comentários


Cleber
Cleber
16 de set. de 2025

Achei as rimas um pouco distrativas, mas bo geral bom texto.

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Arabella
Arabella
16 de set. de 2025

As rimas foram certeiras

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Verônica Torres
Verônica Torres
14 de set. de 2025

eu amei as rimas, parabens pela sagacidade

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