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O Sentido da Vida

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 29 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2023

Para mim o grande sentido da vida é ser feliz, buscar a felicidade e ficar com ela a maior parte da nossa vida. Mas será que esse sentido é condiz com a realidade das pessoas na sociedade em que vivemos? Bom, vivemos em um país capitalista onde a produção e o enriquecimento é muito valorizado, existe um grande consenso na sociedade em que trabalhando nós vamos conseguir enriquecer e consequentemente seremos felizes, o sentido da vida para muitos é trabalhar, de preferência com o que gosta, e enriquecer com esse trabalho. É super comum vermos mensagens motivacionais sempre valorizando bastante o trabalho como por exemplo: “O Trabalho dignifica o homem” e outras mensagens do tipo. Se formos analisar veremos que muitas destas mensagens são de pessoas já socialmente favorecidas que já tem uma boa quantidade de dinheiro e que são na maioria das vezes os donos do meio de produção, os detentores do poder e os mais favorecidos na luta de classes estudadas por Karl Marx. Mas será que outra parcela significativa da sociedade também desfruta de condições similares para ter este sentido de vida?


Logo no início de nossas vidas já começamos os nossos preparativos para uma jornada de êxito na vida de acordo com os padrões de nossas sociedades, que é conseguir uma boa formação profissional, porém aí já acontece a primeira quebra de oportunidades, muitos jovens já precisam abandonar a escola seja por falta de estruturas na região onde moram, seja pela necessidade do jovem procurar rápido uma forma de trabalho para ajudar nas despesas de casa. Mais adiante outra grande quebra de oportunidades, o acesso a educação de ensino superior, a quantidade de vagas em faculdades é bastante limitadas, infelizmente poucas pessoas conseguem entrar em uma faculdade pública, as únicas que tem a forma de ensino gratuito, os que não entram restam a opção de pagar uma da rede privada, que está longe do que muitas famílias podem pagar ou continuar tentando entrar em uma das poucas vagas da pública, porém visto a necessidade de muitas famílias se torna uma tarefa complicada visto a necessidade de conseguir trabalhar o mais rápido possível para ajudar nas necessidades básicas do dia a dia.


Portanto, vemos o seguinte cenário na sociedade, muitas pessoas trabalhando intensamente em empregos que apesar de sua importância incontestável para a sociedade são desvalorizados pelas classes mais favorecidas economicamente. Muitos trabalhadores acordam cedo, saem para trabalhar, passam um longo período do tempo em deslocamento até o local de trabalho e chegam bem tarde em casa, super cansados, porém com pouco tempo para dormir já que no dia seguinte esse processo começa tudo de novo. E agora, como essas pessoas podem pensar e ter algum desejo na vida? Muitas dessas pessoas tem inúmeros desejos em suas vidas, porém ainda de acordo com aquele ideia capitalista de valorização do trabalho, os trabalhadores acabam se cobrando muito em relação a produtividade, em estar sempre rendendo o melhor possível em relação ao trabalho e acabam colocando seus desejos pessoais como segundo plano e como vimos, a maioria não tem tempo de pensar em um segundo plano e vivem totalmente em relação ao trabalho.


Agora surge um questionamento, se de acordo com a ideia capitalista de que o trabalho é o caminho para o enriquecimento e para a felicidade, podemos dizer que essas pessoas vão ser felizes um dia? A resposta é não, quem propaga esse ideia são os privilegiados socialmente, os donos dos meios de profissão, os empresários, pessoas que foram favorecidas socialmente para estarem onde estão, vimos todos os obstáculos para as pessoas chegarem neste local de êxito e essa desigualdade entre as pessoas é necessária para a manutenção da condição de vida das classes dominadores, elas dependem do trabalho das pessoas para se enriquecerem, então por isso que estas mensagens de valorização do trabalho são bastante divulgadas e sim o trabalho traz dinheiro, mas não para o trabalhador e sim para os empresários.


Outro questionamento que surge é: Por que as pessoas não largam tudo e vão correr atrás da felicidade? Infelizmente o dinheiro é importante para as pessoas serem felizes, seja para viajar, fazer uma festa ou qualquer outra forma da pessoa ser feliz, então as pessoas vivem em um ciclo que não tem um fim, se elas quiserem ser felizes precisam trabalhar para ter dinheiro porém visto a pressão pelo trabalho não sobra tempo para concretizar essa felicidade, fora as condições de muitas pessoas que nem tem dinheiro para essa felicidade, então elas acabam sendo obrigadas a seguir essa rotina e passam uma vida inteira apenas trabalhando para o enriquecimento do outro, será que isso é ser feliz? Imaginem a quantidade de sonhos e desejos perdidos na sociedade, ser feliz infelizmente é um privilégio para poucos, assim como ter um sentido para a vida.


- Jô Tenório

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