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Os figos

  • Manuella
  • 19 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Sentada em um banco de couro marrom, sinto-me confortável para escutar os meus pensamentos. Alguns não são agradáveis e, mesmo assim, permito-me escutá-los. Olho para a chuva na janela e imagino o meu futuro. Penso se estou no caminho certo. Até então, tem sido bom, mas tenho medo de me deixar levar pela maré. Estou realmente fazendo as minhas escolhas ou sendo influenciada de alguma forma?

Sylvia Plath escreve, em seu livro A Redoma de Vidro: “Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque não conseguia decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto e, enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e a ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.”

Em uma sociedade cheia de possibilidades, a dualidade entre o ser e o não ser cansa. E se eu escolher o errado? E se me tornar conservadora? Serei ingênua? E se decidir mudar? Serei confusa? E se me tornar ativista? Irei realmente transformar?

Os “e se” são múltiplos. A escolha é o X da questão, e o resultado é o medo.

Volto a mim, pois já preciso descer no meu ponto. A noite é sombria e gelada no caminho de casa. Escuto passos de algo virando a esquina — é um cachorro. Alívio. Nunca se sabe. Tenho medo.


Arabella


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1 comentário


Aurora Vienna
Aurora Vienna
02 de dez. de 2025

eu gostei muito da construção do texto, leve mas com pensamentos profundos. Me ganhou também por citar a teoria dos figos de Sylvia Plath

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