Poderia
- Manuella
- 19 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Ao pensar no eu do futuro, minha mente flui por vários cenários. Como será minha futura casa? Será grande, pequena, com paredes brancas ou coloridas? Será que terei alguém para dividi-la comigo — uma amiga, apenas um companheiro, ou talvez filhos? Detalhes da vida cordial passam pela minha imaginação, querendo evitar uma pergunta mais profunda: será que o eu do futuro poderá ser feliz consigo mesma?
Eis o meu medo. Não evoluir. Tenho pavor de ficar para trás, com a vida passando rapidamente e eu ainda presa nas mesmas questões. Tenho medo de continuar sendo essa pessoa que nunca está satisfeita com o que faz. É cansativo viver assim, no agora, e tenho horror de me imaginar vivendo assim por mais 20 ou 30 anos.
Sempre achei que esse sentimento seria resolvido ao alcançar a validação dos outros — e, por um certo tempo, até foi. Mas a coisa fugiu do controle. Tenho todos ao meu redor me aplaudindo enquanto minha voz interna me vaia: poderia ter sido melhor, poderia ter feito assim, poderia e não fez. Poderia. Poderia.
Neste exato momento, na décima tentativa de escrever este texto, penso que eu poderia fazer melhor. Já tentei mudar de tema, de cenário, nada me deixou satisfeita. Talvez esse não seja o meu maior medo. Tenho outros, mais pessoais, que não me caberiam contar aqui, sem expor o contexto da minha vida por trás do nome com que escrevo. Entretanto, este é o medo real que vivo agora, e faço, ou tento, por meio deste texto, uma expressão em palavras na busca de me tranquilizar, em esperança de libertar o eu do futuro da prisão que hoje me sufoca.
Carmen Santiago

Adorei, senti a conexão com a autora e identificação, pontos que acho importantes e interessantes ao ler uma crônica