Por favor, não quebre meu coração
- gabriel gonçalves
- 13 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Escrevo esse texto às 23:33 da quinta-feira. Não queria escrever algo que não viesse de forma verdadeira, e por isso, não sabia o que escrever.
Então uma palavra me veio à mente, e achei que parecia perfeita para filosofar novamente.
Amor.
Acho que todos nós temos medo, mesmo que pequeno, de amar. Não quando somos crianças. Nessa idade as palavras nos vêm facilmente e é fácil dizer para aquela menina que ela é especial.
Mas não falo disso, falo de quando atingimos os 14 anos e começamos a pensar demais. Passamos a nos importar com o que vão pensar de nós e o que vão dizer sobre nós. Quando passamos a não entender direito nossos sentimentos, e mais que isso, temos medo de coloca-los pra fora.
Hoje, estou no lugar em que me apaixonei pela primeira vez, a primeira paixão de verdade, das pernas tremerem, as mãos suarem e o coração disparar. Mas também o lugar onde ano após ano senti tanto medo de dizer o que sentia, de ser rejeitado, de não ser amado.
Depois de anos resolvi contar, de forma descontraida. "Eu tinha um super crush em você. Tipo, eu gostava de você de verdade". Meu coração saia pela boca, o que ela diria? "É? Não sabia". E nada mais foi dito.
Será que eu não era bonito o suficiente? Forte o suficiente? Bom o suficiente? Era claro pra todo mundo que tinha alguma coisa entre nós, porque não era claro pra você?
Depois disso me convenci que nunca me apaixonei por você, é mais fácil acreditar que eu gostava da maneira como fazia me sentir, não de você. Me convenci que eu era bom suficiente, e por isso, não precisava de ninguém. Me convenci de não precisava ser amado por ninguém além de mim mesmo, e talvez tenha levado isso a sério demais. Me apaixono por fantasias, e toda vez que chego perto demais da realidade, me afasto e me convenço, mais uma vez que o sentimento não é real, não pode ser real.
"Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira" dizia Renato Russo, e apesar de me convencer de muitas coisas, quando deito a cabeça no travesseiro ainda desejo que alguém sinta por mim o que sentia naqueles dias por ela.
Apesar de ninguém querer admitir, eu e você temos medo de amar. Medo de nos entregar. Medo de sentir demais. Medo de sentir sozinho.
Hoje, ainda me pergunto se posso superar esse nosso medo...
- Anthony Serra


Por sinal, texto tocante! Parabéns!
Certas vivências me fizeram perceber que o amor é valioso demais para ser retido só para nós, trancado numa jaula por nossos receios. Independentemente dos nossos medos e do rumo que as coisas vão tomar, a verdade é que a gente nunca perde por amar. Isso não me deu coragem para superar esse medo completamente, admito. Mas, ao menos, me deu a coragem que eu precisava pra dar um primeiro passo. Então, não hesite em continuar tentando. Ouça o Renato Russo: não minta para si mesmo.