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Posso até morrer

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 29 de set. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2023

Tenho um modus operandi masculino do qual não me orgulho muito. Na realidade, há poucas coisas em mim das quais devo me orgulhar. Mas quando se trata de macho, sou uma perdição. Ou melhor, eles são a minha. Penso neles o tempo inteiro. Não gosto, mas não consigo escapar; é algo maior do que eu. É maior até do que eles, mesmo com aqueles braços grandes, seios fartos e coxas grossas. Penso em homem o tempo inteiro, os desejo o tempo inteiro. Mas não me refiro aos certinhos, esses são meio pressão baixa, sem sal, tampouco adrenalina. Penso e desejo os canalhas, aqueles que não valem os 70 centavos do RU — mas que valem bastante para outras coisas, diga-se de passagem. Gosto dos difíceis, que me tiram de alguma forma do meu conforto, que me tiram do sério completamente (cria de Alcione, não tem jeito…). Há uma emoção a mais nisso, um estimulante quase instantâneo, gasolina que incendeia cegamente e só apaga depois que a missão é concluída. Isso mesmo, missão. Homem é missão, algo que eu necessito cumprir. Lembro até hoje da minha primeira missão, do sentimento... Conheci um menino, fiquei com ele e fomos pra cama naquela mesma noite. No dia seguinte, nada. No outro dia, também sumiço. Senti aquela rejeição que só nós, mulheres meio Mutante da Rita Lee, conseguimos compreender. Eu estava um pouco obcecada e teria aquele homem para mim novamente. Ele me respondeu dois dias depois e ali começou minha missão. Eu teria, sim, aquele homem novamente. E foi o que aconteceu. Me fiz de interessada, de boba, palhaça, super preocupada, mas também soube me insinuar. Conquistei o homem. Transamos. Perdi o interesse. Até hoje ele me manda mensagem, mas não ligo muito, agora tenho uma nova missão. Uma dificílima, que me pisa, me engana, enrola, me faz de boba, palhaça… Mas sabe se insinuar. Entendo todas as problemáticas em volta desse homem e, sinceramente, gostaria de sair das garras dele. Mas toda vez que vejo um story marcando a rola ou com aquela bunda redondinha, logo ataca a minha fertilidade. Mando mensagem, ele nem vê. Posto story e ele não reage. E o tesão como? Só subindo. Me sinto patética sendo movida a desafios dessa forma, mas não consigo fugir; é minha sina. Na verdade, a sina do ser humano. Ninguém quer o que está ao seu alcance: É muito fácil e não sou de me rebaixar a isso. Quero o difícil, o impossível, quero me humilhar, mandar áudio bêbada, quero ouvir Maria Bethânia, sofrer, dar, conquistar esse homem para depois esquecê-lo. Posso morrer de vergonha, talvez até de tesão, mas não morro por arrependimento. Acho que vou mandar mensagem, tá muito calor pra não tomar nenhuma providência.


- Harolda Duprat

2 comentários


Rory Gilmore
29 de set. de 2023

esses dias vi um tik tok que dizia “não deixe pra amanhã o que pode fazer hoje, vamos todos morrer de calor em alguns anos mesmo”, o final do seu texto me lembrou isso hahaha

amei as citações a grandes artistas da MPB.

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dante
dante
29 de set. de 2023

me vejo em você

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