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(Quase) sempre suficiente

  • Manuella
  • 19 de set. de 2025
  • 1 min de leitura

Nunca fizeram uma festa surpresa para mim,

mas para sorrisos nascerem movi montanhas

Nunca ocupei o título de melhor amiga, mas já entreguei esse posto a quem amei sem pensar duas vezes.

Nunca fui lembrada quando os convites são distribuídos,

mas já fui escolhida como peça útil.

E como isso pesa.


O medo é um fenômeno curioso. Dizem que ele paralisa, mas considero ele como algo pior: o medo impede.

Quantas vezes, caro leitor, você quis tanto algo… mas uma vozinha ecoou dentro de você:

“Ei, você não vai conseguir mesmo. Melhor nem tentar.”


Essa voz não se contenta em calar grandes vontades.

Ela se infiltra nas miudezas. Nas roupas escolhidas,

nas palavras que pronuncio.

É caminhar sobre frágeis cascas.

A qualquer passo, tudo pode desmoronar.


Essa sou eu: uma teimosa equilibrista.

Às vezes penso andar por uma estrada dourada.

Mas na verdade, sigo sobre uma corda fina,

presa entre o medo de cair e a esperança de voar.


Eu consigo ser suficiente, ou estou condenada a sempre acreditar que não sou?


Charlotte Ferraz

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