Ruído
- gabriel gonçalves
- 27 de out. de 2023
- 1 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Ando pensando em lugares vazios, ando buscando lugares vazios, me encontro em lugares vazios, mas realmente o lugar vazio em que pertenço é apenas dentro de mim, realmente o meu redor não é vazio, embora eu pense ser.
Foi em 16 de fevereiro de 1998, meu primeiro dia de aula, ou seja, socialização, foi o dia em que, teoricamente, eu não ficaria mais sozinho, ou pelo menos não deveria sentir o sozinho, eu lembro que conheci pessoas e fiz amigos naquele dia, mas aparentemente nunca deu pra suprir.
Eu tive uma vida boa, de verdade, tive família perto, tive um lugar seguro, e eu não fui Mun’Ra mas tive sim uns pitbull por mim, então toda noite eu me pergunto a mesma coisa: O que aconteceu?
Foi próximo da primavera de 2012 que eu me afastei pela primeira vez, sumi, sem dar explicação nenhuma para qualquer pessoa, fiquei longe dos meus amigos por cerca de um mês, nunca vou esquecer do barulho interno que me assolou, do que eu supostamente ouvi e do que eu supostamente sabia, e também do medo de ficar sozinho.
Mesmo depois de tantos surtos e tanto medo, eu não ficava fisicamente sozinho, nunca estive, sempre houveram pessoas por perto, pessoas que queriam a minha presença, mas eu ainda tinha receio de ser abandonado; Talvez por isso eu “abandonava” primeiro?
Bem, mesmo eu me auto-sabotando várias e várias vezes, hoje eu me vejo parcialmente livre e com o gratificante sentimento de companhia, obviamente ainda tenho um barulhinho tocando na minha cabeça, ainda continua esse pequeno ruído que controla os meus atos, mas por ora não me vejo acabando em solidão.
- Abebe Sant'Clair


Te entendo perfeitamente! Gostei da maneira como você conseguiu se expressar por completo em sua crônica!
também tenho esse medo de ser abandonada. Por isso, acabo me isolando antes de qualquer um, meio que já me preparando para qualquer tipo de exclusão que possa vir a acontecer.
se isolar por medo de ser excluído é um mal terrível, te entendo completamente. adoro sua escrita e a maneira como você se expressa
ir embora antes que nos deixem sempre parece a opção menos dolorida, mas é sempre a decisão que mais nos consome. você utiliza de muita criatividade e narrativas cronológica para falar de sentimentos reais, sant'clair. admiro sua escrita, nunca deixe de escrever.
Aos poucos você parece dominar isso, sua escrita por meio de datas me deixa mt curiosa em saber qm é