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Sentimentos de papel

  • Coraline Rissi
  • há 24 horas
  • 1 min de leitura

Nunca fui de me arriscar, gosto do seguro, do concreto. Quantos corações partidos evitei, humilhações que não passei e sentimentos que não me permiti sentir por um simples fator: a incerteza. Me acostumei com esse conforto, mas ele tem um preço.


Esse conforto é que nem um corte com papel, aquele que não sangra, mas corta o suficiente para arder. Será que se eu sangrasse não arderia tanto? Não tem por que colocar um curativo em algo que não se abriu, mas se sangrasse curaria mais rápido e o curativo mostraria que apesar do sangue, não é algo ruim. Me arrisquei, me distrai e acabei me machucando, mas fiquei bem. 


Porém cortes são diferentes de sentimentos, quando uma ferida se abre, para parar de vazar demora meses, talvez anos.  Não tenho tanto sangue assim. Mas não quero sempre ficar ardendo. E esse ardor cresce cada vez mais dentro de mim, a cada possível relacionamento que rejeitei, projetos que não participei, e amizades que não cultivei.


No final do dia coloco um curativo no corte, mesmo sem precisar, para me lembrar que eu deveria estar sangrando.

Coraline Rissi

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