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Trema

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 26 de out. de 2023
  • 2 min de leitura

Atualizado: 17 de nov. de 2023

Vindo a vista ao voltar para minha pequena casa, vejo um vazio e branco gabinete de

computador, já amarelado, com suas marcas do tempo, tempo esse que por um

momento me lembro do meu, que pra mim nem é tanto tempo assim, tempo assim que

coisas duravam mais, que pessoas conversavam mais, tempo esses que pessoas duravam

mais, tempo esse que vejo as coisas definhando, aos poucos a idade chegando pra cada

uma delas, a roupa que eu visto o celular que eu uso, até do computador que escrevo,

visto esse tendo dezessete anos de idade, já é um ancião no mundo rápido e descartável

de hoje, não só sinto falta da durabilidade e da intuitividade das coisas daquela época,

mas sim daquele planeta terra, onde pessoas davam mais valor aos pequenos momentos

de felicidade, onde as pessoas tinham mais atenção aos detalhes, às cores e as formas de

cada um, onde hoje não se tem paciência, de esperar um minuto para abrir um mísero

aplicativo, chamam isso de “dinamismo” onde apenas vejo desespero por querer aquilo

vem depois, comparado com quinze anos atrás, onde até ligar um computador

demandava tempo e dedicação, as cores azuis e verdes do Windows XP da época

saltavam modernidade, hoje, liguei meu mais novo notebook e só sinto vazio, assim

como aquele gabinete velho e vazio que via, sinto um sentimento muito grande, um

desejo impossível, de voltar pra época onde não só a tecnologia empolgava, mas o

mundo todo era menos cinza, onde as pessoas eram mais simpáticas, num mundo que

sabia distinguir o real do virtual, onde se a Trema, já ultrapassada, vivia em livros e

corretores ortográficos sem ser julgada pela sua idade, num mundo mais simples, onde

era possível viver, se precisar pagar tanto por isso.



Nair S.

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