Um segundo de silêncio
- gabriel gonçalves
- 27 de out. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 17 de nov. de 2023
Minha maior inimiga sou eu. Eu, minha cabeça, meu inconsciente — que se mostra
mais consciente do que deveria ser em determinadas situações — e eu.
Meu coração grita pra eu fazer, meu cérebro refuta dizendo que talvez não
devêssemos ir adiante, meu corpo obedece quem deveria ser mais inteligente. Mas
será que era realmente errado?
Vivo de expectativas criadas por momentos nunca vividos. Nunca vividos porque eu
tive medo. Ainda tenho. Sinto o medo de não fazer o certo, sobrevivo com o receio
de que talvez fosse melhor ter arriscado, vivo com aquela voz interna me dizendo
que me autossabotei de novo.
Talvez eu deva parar de me escutar. Essa voz na minha cabeça é inquietante,
indiscutível, inabalável e me faz temer a vida, me faz voltar atrás, me faz desistir dos
meus sonhos. Essa voz, inquietante, indiscutível, inabalável, assombra meus
sonhos, me faz acordar no meio da noite com falta de ar, sentindo meu coração
pulando do peito e me autoflagela o resto dos dias da minha vida pelos erros e
pelos “e se?” que nunca aconteceram. Essa voz. Inquietante. Indiscutível.
Inabalável. É minha. Minha maior inimiga sou eu.
Talvez uma vez na vida eu deva escutar meu coração, que também sou eu, mas soa
diferente. Talvez eu deva agir por impulso, mandar aquela mensagem, trocar de
cidade, trancar o curso que eu pensei que fosse meu sonho e roubar um barco com
um garoto que acabei de conhecer.
Eu queria poder viver. Queria poder comprar um simples sorvete sem a voz na
minha cabeça batucando, me lembrando, avisando, gritando pra mim “e se algo
acontecer?”. Talvez aconteça, talvez não, mas acho que nunca vou saber. Mais uma
vez eu volto pra casa sem ao menos ter tido a coragem de pedir o número daquele
garoto com quem sempre troco olhares, volto pra rotina incessante de pensar que
escolhi o meu futuro por impulso, droga, volto para casa sem ao menos um sorvete.
E de novo, por mais uma noite, somos apenas eu e a voz, presas em uma sala
escura com uma única cadeira. Meu coração palpita como um aviso de que deveria
tê-lo escutado, minha garganta se fecha com todas as palavras que não tive a
audácia de dizer durante o dia e, por mais uma noite, me perco na espiral de
pensamentos que me lembram do meu fracasso.
Eu tentei. Eu juro. Mas as vezes parece que as mãos que tentam me empurrar
penhasco abaixo são minhas. Aproveito o único segundo de silêncio que se instaura
momentaneamente e grito: “não precisa me empurrar, eu pulo”. Um ato destemido
em meio ao caos. E então caio em uma queda sem volta para o meu inconsciente
que me autossabota. Afinal, minha maior inimiga sou eu.
- Rory Gilmore


me sinto exatamente assim. fico impressionada em como vc escreve bem e consegue passar todos os seus sentimentos
Me sinto assim também,sinto que preciso fugir de tudo e de todos,mas espero me encontrar também
eu me sinto exatamente assim, acho que faz parte das convenções socias ter certos "limites", mas, é claro que alguns deles nos impedem de viver de forma mais livre e sem medo.
As vezes tenho a sensação de viver lutando para silenciar a voz que grita o "contrario" na minha cabeça. Adorei o texto!
também me sinto assim... uma lita constante entre o coração e a mente. um dizendo para ser racional e o outro pra se jogar de cabeça e viver o momento