Vidas Secas
- gabriel gonçalves
- 18 de nov. de 2023
- 2 min de leitura
Desolado, arrasado e sem fim, o ser humano experimenta nos dias quentes de hoje aquolo que o pantanal sente com uma intensidade muito maior no lugar no que fora uma terra cheia de vida, o pantanal não é mais aquilo que passou na Manchete, o pantanal se assemelha como Vidas Secas, onde inumeros seres não humanos lutam pelas suas vidas do calor exaustivo e das chamas, feridos e debilitados pedem socorro aos gritos não distinguiveis mas empáticos, muitos deles não sequer aguentam a ajuda chegar e padecem ali mesmo, a terra, só pode chorar em forma das gotas que caém do céu.
Imagino que se nós, meros macacos com roupa não resistimos ao calor de 40° que nós mesmos deixamos outtas pessoas fazerem, e quanto ao jacaré que não conseguiu sair da água a tempo de ser cozido vivo? Ou mesmo a onça que caminha com dificuldade já que teve que passar sobre o braseiro mais cruel que existe?
As árvores que tampouco podem pedir ajuda, as aves que não puderam levar seus filhotes consigo e preferiram estar com eles até o último segundo. Quando algo acontece assim com o animal homem, logo nos é imundado com uma onda de empatia como o casal que morreu abraçado na primeira classe do Titanic, mas o exemplo dado anterior a essa alegação é tão pior quanto, é o Pantanal pagando caro pela arrogância e pela ganância de alguns, sua fauna e sua flora que sequer sabem o que é civilização sendo arrasada por pura incompetência de alguns mais ricos que se denominam agro.
Vivo a lenta e gradual extinção do único bioma exclusivo brasileiro, que alguns bravos guerreiros tentam salvar alguns dos fracos animais que encontram, mas segundo palavras deles mesmos: “um grande cemitério”, é isso que resta do Pantanal, que por não estar centrado no centro de uma cidade no sul/sudeste do país, não tem a mínima relevância pública ou a empatia que precisa.
- Nair S.


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