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É sensação

  • Manuella
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Me lembro bem do primeiro dia de aula que teria com a volta das aulas presenciais quando a pandemia estava chegando perto do fim, na madrugada eu acordei de um pesadelo, sozinho no meu quarto eu tremia, sentia que o meu coração explodiria o meu peito, até tudo parar, não tremia, não conseguia respirar e não sentia meu coração bater, estava certo que eu ia morrer naquele momento, mas nada aconteceu, eu não sabia o que era a sensação ruim até esperar por horas acordado a hora de sair e ir para a escola. A minha voz não saiu quando recebi um bom dia da mulher da recepção, eu não consegui responder, o ar foi lentamente parecendo mais rarefeito durante o dia, eu já não conhecia as pessoas com quem já tinha estudado anos, e, consequentemente, eu pensava que elas não me conheciam.

       É a sensação de querer estar, mas com medo de ser visto como decepcionante. É como pensar em uma peça de commedia dell’arte, baseada em improviso, personagens com alguns estereótipos e máscaras, mas o ator tem medo de tentar improvisar uma cambalhota e quebrar o pescoço, pode acontecer, porém é sem sentido ter esse medo sem uma experiência parecida previamente. É a sensação do fim antes de um começo. É a sensação de sentir que já viu o mesmo filme mil vezes sem nunca ter visto. É cansaço antes de fazer um exercício.

       Essa é a sombra, o medo de sentir felicidade, não de ser rejeitado, mas de ser aceito apesar dos defeitos. Porque, a baixa autoestima que cultivei até o momento, não permite a minha imperfeição, sempre me senti sendo mais elogiado que devia, eu tinha inveja de outros, tinha raiva de comportamentos de outros, já magoei sabendo que magoaria e ainda estava sendo tratado bem, mesmo não merecendo.

       Os outros que eu invejei nem sempre existiam, eram produtos que eu criava, máscaras que usei, outros que eu tive raiva não são tão diferentes dos citados anteriormente, são só objetos, não me agradavam, o aluno certinho que eu invejava nunca tinha feito um trabalho na madrugada para entregar na manhã, o filho exemplo que eu senti raiva dos momentos que abaixava a cabeça e se forçava a ser quem não queria ser. É a sensação de ser quem nunca foi e nunca ser quem deseja ser.



Rick Deckard

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1 comentário


priscila tabirá
priscila tabirá
13 de set. de 2025

a última linha me tocou muito

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