Manuella
10 de nov. de 20251 min de leitura
"Alívio" de mãe
As sirenes já haviam se calado, e o cheiro de pólvora se misturava ao café que vinha das cozinhas da Penha. No beco principal, as marcas de sangue haviam sido lavadas, mas o vermelho insistia em aparecer entre as frestas do chão rachado. Dona Célia estava sentada no batente da porta, o olhar perdido, mãos trêmulas segurando um terço que já nem brilhava mais. As vizinhas cochichavam ao longe, respeitosas, talvez por piedade, talvez por medo. Ela, no entanto, não chorava.
