Não
- gabriel gonçalves
- 9 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Crônica por: Jorge M
"Mas, Jorge, a gente já foi junto ano passado, vamos mudar um pouco"
Não era assim que se respondia a um convite de alguém que você gosta. Aquilo não estava certo, ela devia aceitar. Mas mesmo negando todas as evidências anteriores, ali estava a prova cabal do fracasso de uma jovem paixão. Foi ali que eu soube.
Festa junina. Clima de alegria. Música tocando por todo o lugar. Barracas de atividades por todos os cantos. Mas, para as crianças do sexto ano, havia muito mais em jogo.
Isabel era a garota mais bonita da turma. Carismática, sorridente, engraçada, e muito boa de conversa. E assim, conquistou o coração do pequeno Jorge.
Talvez pareça pouco agora, mas na época, chamar uma garota para dançar junto na quadrilha era quase como pedi-la em casamento. E mesmo com medo, ele foi, chegou até ela, e perguntou se ela queria formar dupla para a apresentação da escola. E foi aí, que o sonoro e retumbante "não", aconteceu.
Foi ali, bem ali, que uma sementinha surgiu na cabeça do nosso jovem protagonista. Essa sementinha, que tanto cresceria, se chamava "insegurança". O medo de não ser suficiente para atrair a vontade dos outros de ficarem. O constante alerta para saber se estava sendo interessante o bastante. O início do fim da paz.
A sementinha cresceu e hoje segue como uma voz forte na cabeça de Jorge, que segue buscando incessantemente manter as pessoas que gosta ali, no meio termo entre a linha tênue de "Chamar atenção demais/Passar despercebido". Talvez, se a Isabel tivesse aceitado o convite, ela não teria toda essa relevância. Menos mal que ela trocou ele por um garoto muito, muito, mas muito feio. Então, com o pouco de auto estima que me resta, cabe a mim acreditar que quem saiu perdendo foi ela.

Impressionante como momentos como esse deixam uma marca nas nossas vidas. Você caracterizou muito bem a situação. Boa crônica!
Nossa Jorge te entendo completamente, a insegurança também é algo que me assombra, mas tenho absoluta certeza de que quem saiu perdendo foi ela.
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