Cartas que nunca chegam
- Agá
- há 2 dias
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O choro denso de uma mãe ecoa ao fundo da sala. As grades são tingidas pelo vento gélido das manhãs norte-americanas. O cinza predominante reluz nos olhos das crianças – que tão cedo se tornam as mães que choram nas noites pesadas. São essas lágrimas que compõem o mar de cartas que nunca chegam.
Cartas essas que são rasgadas, assim como as identidades. Não há cidadania que resista à inflexibilidade de um líder preso aos anos de chumbo. O chumbo desce pela garganta, cortando as vozes vítimas de uma nação que nunca tolerou ver a população respirar. Eles não conseguem respirar.
O mar carregado, repleto de ondas abruptas, mas que duram pouco. A notícia chega rápido às margens, mas se destitui à medida que o grande irmão produz algo novo. A cada passo adiante voltado para o regresso, o ferimento das mães se torna mais profundo. O choro se torna mais alto. O desespero se torna mais fúnebre. E o inferno se torna mais mundo.
– Agá.

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