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Cartas que nunca chegam
O choro denso de uma mãe ecoa ao fundo da sala. As grades são tingidas pelo vento gélido das manhãs norte-americanas. O cinza predominante reluz nos olhos das crianças – que tão cedo se tornam as mães que choram nas noites pesadas. São essas lágrimas que compõem o mar de cartas que nunca chegam. Cartas essas que são rasgadas, assim como as identidades. Não há cidadania que resista à inflexibilidade de um líder preso aos anos de chumbo. O chumbo desce pela garganta, cortando a
Agá
há 2 dias1 min de leitura
Só na pele do cachorro
Renata e Juliana andam pelo centro da cidade. Viram esquinas, entram em lojinhas, batem perna, rodam por aí, tomam um cafézinho e continuam a andar. As calçadas cheias de pessoas fazendo o mesmo. As ruas agitadas com motores soando e fumaça saindo dos escapamentos. O sinal abre e dezenas de pessoas seguem o fluxo atravessando as ruas com pressa. Renata e Juliana também atravessam. E, ao fazerem isso, se deparam com um pequeno cachorro. Mas não pequeno de porte, pequeno de fo
Ila Nazareth
há 2 dias1 min de leitura
Apenas os pés
Lembro-me de abrir o jornal um dia e me deparar com a notícia de um homem que morreu em uma padaria. Foi negada a ajuda que poderia salvar sua vida. Nenhuma das pessoas presentes no estabelecimento ligou para pedir socorro à emergência. Sem identificação de seu nome, o homem se despediu de sua vida ainda pelo horário da manhã daquele dia. O que mais me chocou nesse caso foi como a história prosseguiu. Com as portas abertas e clientes entrando e saindo, comendo e se deliciand
Fani Pimenta
há 2 dias1 min de leitura
ANTICRISTO?
Seria o anticristo? Na bíblia o anticristo é descrito como um líder político e religioso que se colocará no lugar de Cristo. Seria um blasfemador? A blasfêmia é descrita como o ato de ofender ou desrespeitar símbolos religiosos ou diretamente o Cristo. Seria um louco? Às vezes a loucura nos leva a fazer coisas, e nesse caso, imagens, que nos arrependemos depois. Seria um caça-like? A nova geração define um “caça-like” como alguém que procura sempre validação, engajamento e
Joan of Arc
há 2 dias1 min de leitura
A MAIOR “DEMOCRACIA” DO MUNDO
Enquanto Ana aprendia a amarrar os próprios sapatos pela primeira vez, um governo eleito era derrubado em um golpe no Irã. Carolina fazia a lição de casa distraída, ansiosa para descansar, ao mesmo tempo em que um líder era deposto e assassinado no Congo. Dona Lúcia temperava o feijão e gritava da cozinha para que os filhos lavassem as mãos, quando vilarejos inteiros eram atravessados por fogo no Vietnã. Já Roberto corria atrasado para o trabalho e reclamava do trânsito, ao p
Hermes
há 2 dias2 min de leitura
R$7,10
É mais um dia comum, como qualquer outro. As pessoas acordam e se arrumam para ir trabalhar ou estudar. Na internet, só se ouve falar de bilionários estadunidenses, velhos e pedófilos, que não sabem o que fazer com o dinheiro que ganham. Ou quem sabe, do governo dos Estados Unidos e de seu envolvimento sangrento com o Oriente Médio, e com outros países do globo terrestre, nada que não acontecesse desde antes da fundação de sua república. Mas o que é mais intrigante, é pensar
Vicki
há 2 dias3 min de leitura
Contagem para o fim
Todos os dias ao acordar tenho a certeza de que serei surpreendida com uma notícia mais amedrontadora que a do dia anterior. Seja em escala mundial, nacional ou até mesmo na página amadora que divulga acontecimentos do bairro em que moro, não faltam fatos que fariam qualquer um sentir vontade de largar tudo e viver como se o fim do mundo estivesse virando a esquina. E talvez ele esteja. É impressionante pensar que em meio a guerras, invasões e genocídios um cidadão que não s
Sabiá Romã
há 2 dias1 min de leitura
SUA MÃE
Sua mãe havia acabado de ganhar da “patroa” um bonito vestido. Ele era em um tom de bege, que contrastaria com a pele queimada pelo sol, seu tecido leve caía até a altura dos joelhos, deixando ainda mais elegante. Contudo, sua mãe não usava vestidos, ela dizia que não tinha tempo nem ocasião para vesti-los. Assim, ela se agarrava àquelas que “serviam para trabalhar”, camisetas estampadas por alguma propaganda, calças jeans já desgastadas e chinelos coloridos. Você tem orgulho
Submarino
há 2 dias2 min de leitura
-1
Sinto tantas saudades do meu amigo Henri. Saudades de ouvir seu riso fácil. Saudades dos abraços demorados. Do cheiro amadeirado que ele sempre deixa no ar. Nada drástico aconteceu. Não brigamos. Não nos mudamos. Não nos afastamos. Nossos contatos têm sido limitados a mensagens no horário do almoço ou antes de dormir. Atualizações importantes sobre nossas vidas. Alguns vídeos compartilhados por mensagem. No último mês, nos vimos apenas uma vez. Falta de prioridades? Acredito
Eva Rubisco
há 2 dias1 min de leitura
Estrelas cadentes
Thuraya. Seu nome significa constelação de estrelas. Sua mãe disse uma vez, não muito tempo atrás, que quando Thuraya nasceu, assim que saíram do hospital numa madrugada fria que trazia com preguiça a luz do sol, sua mãe viu no céu estrelas cadentes rápidas o bastante a ponto de serem perdidas num piscar de olhos. Desde então, toda noite estrelada Thuraya sobe num banquinho sob a janela e espera ser sortuda o bastante para ver alguma até a hora de dormir. Esperava um dia
Marília de Dirceu
há 2 dias2 min de leitura
Garçom, traga-me uma Copa
Somos um país absolutamente obcecado por futebol. Claro, outros esportes existem, e alguns até são bem populares em seu próprio direito, como vôlei ou basquete. Mas andando por Niterói ou por minha querida faculdade, não vejo muitas camisas do Minas Tênis Clube ou do Bauru Basket. Vejo, sim, muitas camisas de Flamengo, Fluminense, Botafogo, e do meu Vasco, independente da fase em que estejam. Uma bola num gramado nos faz sentir uma conexão espiritual. Com uma marca, com quem
Kris Dreemur
há 2 dias1 min de leitura
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Querido e gentil leitor, peço que me perdoe pela deveras demora das últimas duas semanas. Mas tenho observado o tic-tac do relógio, seguido pelas chaves batendo no cadeado do portão de aço. De repente, sinto a minha pele morena queimar ao sol e minhas pernas correrem contra o tempo, que diz tic-tac cada vez mais rápido. Quando dou por mim, estou sentada em uma sala deveras lotada, com gente de cada parte deste grande Rio de Janeiro. Mas por que a minha enrolação em chegar ao
Lady Whistledown
há 2 dias2 min de leitura
400 mil quilômetros
A Terra vista de longe, não tem fronteiras. Não tem pressa. Não tem barulho. É apenas uma ‘quase’ esfera azul suspensa no silêncio. A mais de 400 mil quilômetros dali, quatro pessoas flutuavam dentro de uma nave - tão pequenas diante da imensidão do universo, tão humanas dentro dele. Haviam viajado mais longe do que qualquer mapa cotidiano pode explicar. E ainda assim, o que mais pesava naquele momento não era a distância. Era a ausência. No meio de cálculos, coordenadas e
Ýsis Devereaux
há 2 dias2 min de leitura
Não consuma a pílula vermelha
Outro dia, enquanto seguia minha programação habitual e procurava por uma receita de alguma sobremesa que salvaria minha noite no Instagram, me deparei com um vídeo que prometia revelar “a verdade que as mulheres escondem”. Sempre começa assim, né? Como se metade da população mundial tivesse feito uma reunião secreta, provavelmente no grupo do WhatsApp “União Misândrica”, só pra enganar o João, 23 anos, que acabou de levar um fora. Curiosa e um pouco masoquista, resolvi assis
The Albatross
há 2 dias2 min de leitura
O choque(i) da prisão
Naquela manhã, o Brasil acordou com mais um escândalo, mas não exatamente um novo. Era apenas a continuação de uma história que já vinha sendo escrita há tempos, entre curtidas, compartilhamentos e manchetes apressadas. O nome da vez era a Polícia Federal do Brasil, que, como uma espécie de faxineira tardia, resolveu abrir as janelas de um quarto que há muito cheirava a mofo digital. Do outro lado da porta, estava o dono da Choquei, uma página que nasceu quase banal, feita de
T. Davison
há 2 dias2 min de leitura
No Brasil, em São Paulo, em bairro de elite
Ele dizia escolher a vida. Deputado estadual, no poder, com voz alta e espaço garantido, soava bonito num post, numa bio. Mas o engraçado é como escolher vira um verbo fácil quando o corpo não é seu. Como se fosse apertar um botão — o mesmo que ele usa para postar balela por engajamento — ou clicar em enviar, como o áudio que mandou. Nem todo mundo segura o controle. Escolher também é fácil (para alguns, no masculino predominantemente, claro). As mulheres não escolhem quando
Lenu
há 2 dias1 min de leitura
“Juventude inútil”
Um dia desses estava pegando a barca, e a juventude socialista começou a falar sobre o folder deles que continha informações sobre a sua militância, pautas importantes, como a escala 6X1 e etc. Estava ouvindo levemente atenta e ao mesmo tempo olhando ao mar. Até que eu ouço uma vozinha que diz: - Mamãe por que eles estão gritando? Prontamente a mãe responde: - Ah filha, são um bando de desocupados que não tem nada para fazer e ficam incomodando os outros em espaço público. O
Emma
há 2 dias2 min de leitura
Noticiário de Atualidades
Do que posso falar, das coisas que acontecem corriqueiramente, na escala ínfima, ou na escala mundial? Posso dissertar sobre a saída de normalistas de sua escola normal, a ida para as suas casas e o descanso até o dia de amanhã, quando retornam para sua instituição e lá ficam pela manhã. Seria necessário um melhor escritor para tornar isso cativante. De guerra, talvez; afinal, seria desafiador tornar um cenário de guerra desinteressante. Talvez um escritor focado nesse objet
Montgomery
há 2 dias1 min de leitura
Quem dirIA...
É impressionante como quase todo tipo de foto e vídeo que vemos hoje na internet gera um questionamento: isso é IA? O cotidiano dentro das cadeias algorítmicas de diversas redes sociais gira em torno desse dilema, o que, até o presente momento, não criou força suficiente para substituir a arte humana. Apesar do conflito tecnológico, existe um fator único presente na presença de uma produção feita pelo homem, que as Inteligências Artificiais ainda não são capazes de executar:
Rô Mário Marra
há 2 dias1 min de leitura
De Serviço
Forte. Alto. Ágil. Sempre muito bem trajado no seu característico uniforme. E não podemos esquecer da aparência viril e máscula. Claro, ele pode até ter uma postura parecida com os heróis mais amados dos quadrinhos da DC ou da Marvel. Não, ele não é o Superman. Muito menos o Capitão América. Ou o Acquaman. Ele é só um policial em mais um dia de trabalho na linda orla de Icaraí. Seu uniforme escuro, botas tratoradas e coldre na cintura não combinam com o ambiente, cer
Clarisse D'Orsay
há 2 dias2 min de leitura
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