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No Brasil, em São Paulo, em bairro de elite

  • Lenu
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Ele dizia escolher a vida. Deputado estadual, no poder, com voz alta e espaço garantido, soava bonito num post, numa bio. Mas o engraçado é como escolher vira um verbo fácil quando o corpo não é seu. Como se fosse apertar um botão — o mesmo que ele usa para postar balela por engajamento — ou clicar em enviar, como o áudio que mandou. Nem todo mundo segura o controle.


Escolher também é fácil (para alguns, no masculino predominantemente, claro). As mulheres não escolhem quando o que acontece com seus corpos vira assunto de todo mundo, menos delas. Alguém escolhe por elas, geralmente alguém no poder, com certeza demais e consequência de menos. Certeza é confortável quando o corpo não é seu.


No fim, a preocupação nunca foi o que foi feito, mas quem ouviu. A “imprensa porca de esquerda” foi a vilã. A sexta-feira precisava continuar intacta, santa, como os valores dele. Ele dizia escolher a vida. Só esqueceu de dizer a de quem.


  Lenu


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