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  • Eva Rubisco
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Sinto tantas saudades do meu amigo Henri.

Saudades de ouvir seu riso fácil.

Saudades dos abraços demorados.

Do cheiro amadeirado que ele sempre deixa no ar.


Nada drástico aconteceu.

Não brigamos.

Não nos mudamos.

Não nos afastamos.


Nossos contatos têm sido limitados a mensagens no horário do almoço ou antes de dormir. Atualizações importantes sobre nossas vidas. Alguns vídeos compartilhados por mensagem. No último mês, nos vimos apenas uma vez.


Falta de prioridades? Acredito que não.


A exaustão física e mental de ficar sentado em uma sala olhando para a tela de um computador por longas horas, seis vezes por semana, é um tema recorrente nas nossas conversas.


Abro as redes sociais. Leio os debates sobre a jornada de trabalho.

Acompanho as notícias nos jornais. Vejo mais um candidato à presidência defendendo que o empregado deve negociar com o patrão.

Entro no uber. Ouço que a nova geração não quer mais trabalhar.


No fim, ainda sinto saudades do meu amigo Henri.


— Eva Rubisco


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