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De Serviço

  • Clarisse D'Orsay
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Forte. Alto. Ágil. Sempre muito bem trajado no seu característico uniforme. E não podemos esquecer da aparência viril e máscula. Claro, ele pode até ter uma postura parecida com os heróis mais amados dos quadrinhos da DC ou da Marvel. Não, ele não é o Superman. Muito menos o Capitão América. Ou o Acquaman. Ele é só um policial em mais um dia de trabalho na linda orla de Icaraí.

         Seu uniforme escuro, botas tratoradas e coldre na cintura não combinam com o ambiente, certamente. Mas, de alguma forma, sua figura é central. Ele é o símbolo de que aquelas pessoas podem se sentir seguras, pois ele é seu protetor. Sua representação mais próxima de um herói. Porque se parar pra pensar bem, os dois sempre fazem o que for preciso pra proteger nossa segurança, certo?

Talvez hoje ele até entre na farsa. Talvez ele ande por aí, com a cara fechada, fingindo ameaçar qualquer coisa que ouse perturbar a paz. Talvez ele cumpra o papel. Ou talvez não. Talvez, ele entre dentro de sua viatura no mais novo modelo de carro, coloque seu fone de ouvido e bom, por que ele não assistiria a aquele episódio da novela que não terminou ontem. Afinal, nada acontece naquele bairro nobre de Niterói mesmo...

Ah, por favor! Não devemos julgá-lo! Ele sempre cumpre muito bem o seu papel. E talvez mais tarde ele tente fingir que se importa de novo. Talvez, ele até pare alguém que seja “a cara do enquadro”, sabe? Talvez ele escolha alguém que combine mais com a suspeita. Não são esses que os policiais abordam mesmo? Isso! Ele faria exatamente isso! Faria igual aos policiais heróicos dos EUA fizeram com Floyd. Faria igual aos seus colegas fizeram outro dia perto do Complexo da Penha. No entanto, ele tem que ter cuidado, porque se ele fizer um trabalho bem feito pode significar sair do palco.


Clarisse D'Orsay


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