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Garçom, traga-me uma Copa

  • Kris Dreemur
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Somos um país absolutamente obcecado por futebol. Claro, outros esportes existem, e alguns até são bem populares em seu próprio direito, como vôlei ou basquete. Mas andando por Niterói ou por minha querida faculdade, não vejo muitas camisas do Minas Tênis Clube ou do Bauru Basket. Vejo, sim, muitas camisas de Flamengo, Fluminense, Botafogo, e do meu Vasco, independente da fase em que estejam. Uma bola num gramado nos faz sentir uma conexão espiritual. Com uma marca, com quem podemos ver que apoiam a mesma marca que a gente. Como pode isso?


Daqui a alguns meses, todo mundo vai estar apoiando os mesmos homens que vão jogar futebol em um país que se recusa a admitir que está em crise, mascarando tanto este fato com bombardeios no Oriente Médio que um dos participantes do próprio torneio que este país vai sediar periga não disputá-lo. A Copa é mesmo do Mundo? Fica a pergunta. Não que isso importe pra gente, né. Nem é imaginável uma situação dessas por aqui.


A Copa e a política se misturam assim como a política e o Mundo se misturam. Sei que daqui uns meses vou estar em casa ou na querida praça da Cantareira vendo algum jogo dela. Talvez esteja pensando nesse lado político, pelo Irã e por outros países cujos torcedores estão até mesmo proibidos de ir ao país-sede. Talvez esteja pensando na comercialização do esporte, visto que os ingressos para os jogos desta Copa são os mais caros da história.


Ou talvez não.


Isso não afeta a gente, afinal. Somos o Brasil, e somos obcecados por futebol. Estaremos vendo futebol. Fim.


  Kris Dreemurr

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