SUA MÃE
- Submarino
- há 2 dias
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Sua mãe havia acabado de ganhar da “patroa” um bonito vestido. Ele era em um tom de bege, que contrastaria com a pele queimada pelo sol, seu tecido leve caía até a altura dos joelhos, deixando ainda mais elegante. Contudo, sua mãe não usava vestidos, ela dizia que não tinha tempo nem ocasião para vesti-los. Assim, ela se agarrava àquelas que “serviam para trabalhar”, camisetas estampadas por alguma propaganda, calças jeans já desgastadas e chinelos coloridos. Você tem orgulho daquela vestimenta, a qual te proporcionou a melhor vida possível mesmo com todas as limitações. Porém, isso te fez querer mais ainda poder retribuir todo cuidado e esforço que aquela grande mulher te dera.
Naquele dia, ela decidiu que iria trocar o vestido bege por outra peça de roupa, uma mais confortável, outra camiseta talvez? Dessa forma, vocês duas foram até a boutique em que o vestido havia sido comprado, pela mulher a qual sua mãe trabalhava, e entrando pela porta vocês foram olhadas dos pés a cabeça pela atendente, com cara nada simpática. A mulher que atendeu vocês foi ríspida e incisiva ao afirmar que a loja não realizava trocas para, mesmo na presença da nota fiscal. Ela nem ao menos fazia questão de olhar nos olhos de sua mãe. Logo, vocês duas foram quase que convidadas a se retirar, e assim fizeram.
Sua mãe não questionou a atendente, não falou alto e não demonstrou nenhuma indignação, apenas se retirou do estabelecimento em silêncio, como alguém que havia entendido o recado. Enquanto caminhava pelas ruas movimentadas, retornando para casa, você, em meio a quietude, tentava decifrar os pensamentos de sua mãe, esperando algum tipo de objeção ao ocorrido, mas você só observou uma calma firme, de quem carrega um sofrimento que já aprendeu não ter cura.
— Submarino

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