R$7,10
- Vicki
- há 2 dias
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É mais um dia comum, como qualquer outro. As pessoas acordam e se arrumam para ir trabalhar ou estudar. Na internet, só se ouve falar de bilionários estadunidenses, velhos e pedófilos, que não sabem o que fazer com o dinheiro que ganham. Ou quem sabe, do governo dos Estados Unidos e de seu envolvimento sangrento com o Oriente Médio, e com outros países do globo terrestre, nada que não acontecesse desde antes da fundação de sua república.
Mas o que é mais intrigante, é pensar que não está acontecendo nada no país onde vivemos (além do BBB), ou, ainda mais precisamente, na cidade onde vivemos. O estado do Rio acabou de ter o seu ex-governador, Claúdio Castro (PL), deposto após um escândalo envolvendo uma folha de falsas contratações temporárias pela Fundação Ceperj, envolvendo 18 mil pessoas contratadas sem concurso público, e mais de R$220 milhões, em dinheiro vivo, movimentados em agências bancárias para garantir a sua eleição. E que, além disso, mesmo sendo preso, receberá R$142 mil reais por férias não usufruidas!
E parece que não há ninguém falando disso, parece que não existe ninguém preocupado com isso, parece que o morador fluminense se acostumou com o terror que esse lugar virou. E isso é assustador. Parece que não importa o que faça, o cidadão não tem poder nenhum… e na verdade, talvez realmente nunca tenha tido poder algum. Ou pelo menos, era assim que eu pensava, até março deste ano.
Mas antes, retomando um outro evento histórico, Junho de 2013, a população paulista se manifestava contra o aumento da tarifa das passagens de ônibus e do metrô, por conta de um reajuste de 20 centavos. Onde, após a resposta da polícia ao Movimento Passe Livre (MPL), uma onda de protestos explodiu naquele ano.
Já em São Gonçalo, a cidade passava 8 anos sem um reajuste na passagem de ônibus, que antes era de R$3,75 desde 2017. Mas após reinvindicações dos motoristas de ônibus do município (Setrerj), que reclamavam da condições de trabalho precário e do baixo salário recebido. E ainda mais, ameaçando fazerem greves e paralisações na cidade, o prefeito Capitão Nelson (PL), em um acordo com a prefeitura aumentou a passagem municipal para R$5,55 em 2025. E em 2026 a passagem municipal se encontrar em R$7,10; e a passagem intermunicipal em algumas linhas é de R$9,10.
Mas a população não aceitou as mudanças impostas, não se calou diante do ocorrido, e não se conformou com a política da cidade. Por isao, no dia 6 de março de 2026, morados, ativistas e manifestantes partiram da Praça Zé Garoto em direção a sede da prefeitura de São Gonçalo, num ato de protesto e de reinvindicações. Não reinvindicando uma diminuição do preço da passagem, mas sim a política da tarifa zero, que já em presente em alguns munícipios próximos, como Maricá e Itaboraí.
Sendo o transporte, um recurso essencial para a vida das pessoas, seja no trabalho, no estudo, no lazer ou em qualquer outra situação. É uma completa injustiça, e um roubo, o aumento das passagens para os moradores são gonçalenses como uma resposta a péssima política em que a cidade se encontra.
Por isso, acredito, e realmente espero, que as pessoas, não virem os olhos para os problemas que estão diante delas. É preciso pensar, debater, discutir o ambiente em que vivemos, em que trabalhamos, em que estudamos, em que nos divertimos. Ou então todo dia será comum, como qualquer outro.
— Vicki

Bom relato. Lembrar de como temos sim poder como cidadãos ativos politicamente é muito importante.