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O choque(i) da prisão

  • T. Davison
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Naquela manhã, o Brasil acordou com mais um escândalo, mas não exatamente um novo. Era apenas a continuação de uma história que já vinha sendo escrita há tempos, entre curtidas, compartilhamentos e manchetes apressadas.


O nome da vez era a Polícia Federal do Brasil, que, como uma espécie de faxineira tardia, resolveu abrir as janelas de um quarto que há muito cheirava a mofo digital. Do outro lado da porta, estava o dono da Choquei, uma página que nasceu quase banal, feita de fofocas, mas que, aos poucos, foi ganhando peso demais para o próprio formato.


Dizem que a internet não esquece. Mas esquecem de dizer que ela também não verifica.


A prisão veio como um choque, ou talvez só como mais um episódio de um espetáculo que nunca termina. Havia ali um esquema de transações ilegais e lavagem de dinheiro em escala bilionária. E, de repente, aquilo que parecia apenas um perfil de entretenimento revelou bastidores dignos de um roteiro policial.


Curioso como tudo começa pequeno. Um post aqui, outro ali. Um seguidor, depois mil, depois milhões. A sensação de poder cresce silenciosa, quase imperceptível, até que já não se distingue mais informação de influência, nem verdade de alcance.


A página que antes comentava reality shows passou a interferir na realidade.


E talvez esse seja o ponto mais incômodo: não foi a prisão que surpreendeu, mas o tempo que levou para acontecer. Como se todos soubessem, em algum nível, que aquele castelo de engajamento estava construído sobre areia, mas preferissem continuar rolando o feed.


No fim, fica a sensação de que não foi apenas um homem levado pela PF, mas também um pedaço da nossa própria responsabilidade coletiva. Porque cada clique, cada compartilhamento sem leitura, cada indignação instantânea ajudou a sustentar aquilo que agora fingimos não reconhecer.


A internet amplifica tudo, inclusive o silêncio de quem poderia ter questionado antes.


E enquanto as sirenes se afastam, levando consigo mais um protagonista dessa era, resta a dúvida incômoda, quase sussurrada: quantos outros ainda estão online?


 T. Davison


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