Anestesia
- gabriel gonçalves
- 9 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Crônica por: Capitu
A noite havia sido tranquila, a manhã tinha tudo pra ser também. Mas não foi. Pra mim ainda era noite, mas o Sol tinha acabado de fazer sua primeira aparição do dia, foi quando você ligou. Sinceramente não sei explicar o que senti quando ouvi que você estava passando mal, até chegar na sua casa tudo é como um flash pra mim, me lembro do desespero, do medo, do susto, da necessidade de me manter calma, afinal, minha mãe já estava prestes a ter um colapso nervoso.
Quando chegamos, te vi frágil, te senti fria, te vi sem forças. Foi quando me toquei que eu nunca tinha experienciado o verdadeiro medo antes. Todas as coisas que eu pensava que me assustavam, me amedrontavam, não chegavam nem perto disso. Você sempre foi força pra mim, sempre foi meu chão. Nunca te vi tão pequena, afinal, em toda a minha vida você foi grande. E, o que poderia fazer um gigante cair? Nunca imaginei uma resposta para essa pergunta, pra mim ela nunca teria resposta.
Ainda perdida em meus flash’s, sei que chegamos ao hospital. Não sei porque o tempo lá funciona de uma forma diferente, agoniante, inquietante. O silêncio em uma sala de espera é perturbador, eu tinha minha madrasta, minha tia, mas na realidade estava completamente sozinha. Não consigo nem lembrar se pensei em falar com Deus nesse momento, só lembro do medo me assombrando. Até que, não faço ideia de como, ou de quem me disse, eu soube.
“Deram a medicação errada…” BOOM.
O mundo parou e… seu coração também.
Não sei dizer por quantos minutos, ou segundos, eu me perdi. Mas eu me sentia sob efeito de uma anestesia. Não sentia meu corpo, perdi meus sentidos, estava vazia. Não podia te perder, não ia aguentar um minuto nessa Terra se eu não tivesse você.
No pouco tempo que tive pra reagir ao que escutei, só conseguia me lembrar que não tive muito tempo com você naquele ano, você tinha se afastado, eu com certeza não tinha aproveitado o suficiente seus abraços, nem o que era viver com você.
Me enfiei em um canto da sala e pouco depois me tiraram do transe, do efeito da anestesia. Não sei quem fez isso, ou como fez isso.“Eles estão reanimando ela, vai ficar tudo bem.” Mas eu não podia acreditar nisso, não até te ver. E não consigo me lembrar se me deixaram fazer isso. Tudo que sei é que te trouxeram de volta.
Conseguiram devolver o meu chão, me devolveram minha força, minha amiga. A experiência de te perder e te ganhar de novo me fez, e faz, valorizar absolutamente cada segundo com você. Já não consigo ficar longe por muito tempo, o peito aperta, o corpo dói, o coração desfalece. Eu já te amava mais que tudo, mas passei a te amar infinitamente mais, de perto ou de longe.
Se hoje eu sei, e entendo, como a vida é um sopro é porque senti o desespero de perder a minha ao te ver sem a sua.
Se hoje eu sei que preciso valorizar os segundos preciosos que tenho é porque eu já não tive tempo com você. A experiência me fez aprender, da pior forma? Sim, mas hoje eu vivo cada segundo que tenho com você.

Quanto antes aprendemos a valorizar aqueles que amamos, mais significado ganham as experiências e vivências. Você conseguiu me fazer espelhar a sua emoção, parabéns.
Adorei o texto, você conseguiu fazer com que eu sentisse a dor daqui e que bom que deu tudo certo no final.
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Texto muito tocante… você descreveu com maestria o desespero da possibilidade de perder alguém que ama, e junto da sua escrita fui sentindo também um pouco do seu medo. Fico feliz por vocês terem tido um bom desfecho.