AO INFORTÚNIO CONHECIDO
- Isabela Pelluso
- 11 de abr. de 2025
- 1 min de leitura
Crônica por: Vinícius Souza
Ao meu caro infortúnio conhecido,
Poderia entoar as mais belas palavras de perdão e paz. Dizer que esqueci, que o passado é história e não se muda, poderia, com bases científicas, me explicar as razões das maldades, mas não tenho interesse.
As memórias foram modeladas e não saíram mais; as agressões, de múltiplos modelos, ainda não cicatrizaram, e das minhas feridas faço um estandarte, não para me martirizar, contudo, para mostrar para outros, que ainda não sabem, pela pequena idade, que elas são reais e que todo cuidado tem de ser sistematizado.
Das humilhações, das mentiras de um mitomaníaco na ativa, levo comigo o aprendizado da defesa, do limite. Talvez algum dia possa ter maturidade para desejar o melhor para ti; por enquanto, prefiro me abster de pensar que mereça algo bom. É cruel na mesma medida, talvez, eu sei, porém me escondo na imaturidade da idade.
Dizem que o amor e a raiva são sentimentos equivalentes; por tal razão, deveria largar essa cruz que dizem me acompanhar no meu acordar e ao meu deitar. Minha réplica é simples: não há raiva, há fato, há trauma. Houveram ações e não me prendo à luxúria do perdão. Ela cicatriza, mas, inegavelmente, de modo contradizente, não sara.
No final, caro infortúnio, quero querer a maturidade, não para me sarar, mas para não lutar mais uma guerra já vencida.

Deprimente, agoniante e, acima de tudo, traumático.
O que eu acabei de ler? Que escrita complexa e culta, estou impactada. Destaco aqui o trecho fenomenal que diz: "Talvez algum dia possa ter maturidade para desejar o melhor para ti; por enquanto, prefiro me abster de pensar que mereça algo bom.". Genial... Nossa...
Visceral
Crônica inevitavelmente bela. O sentimento dela é quase que paupável. 🕷️