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Broto espelhado

  • Foto do escritor: gabriel gonçalves
    gabriel gonçalves
  • 20 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Crônica por: Botânico


Perante um espelho, será que olhamos apenas nosso reflexo? Ou é possível que consigamos ver mais fundo que as aparências, nossos próprios demônios e fraquezas cuja os quais nós mesmos temos dificuldades em enxerga-los?

Na minha visão, a sombra é isso, nosso quase sempre oculto, que está envolto em mistérios ou repressão, aquilo que colocamos (às vezes inconscientemente) no fundo de umas das prateleiras da nossa mente, aquelas que ficam no fundo escuro, esperando para serem esquecidas. Confesso que de todas as crônicas que eu tenho escrito para cá, essa foi a que mais tive que dar o maior mergulho mental para buscar a resposta da mesma, e esse mergulho é como minha autoimagem sendo refletida em um lago, um espelho, passando memórias e mais memórias do decorrer dos anos. Entretanto, por mais que eu não crave essencialmente minha sombra, a única resposta que me passa pós esse mergulho é uma culpa, mais especificamente, a culpa pela agressividade.

Acredito que para quem leu algumas das minhas crônicas conseguiu enxergar que sou alguém extremamente afetuoso né? Sou assim mesmo, grudento, meloso e diria até carente se possível. Apesar disso, uma coisa que me assombra é que sou desnecessariamente grosseiro, ignorante e bastante antipático, bom nenhum problema tão grave até agora né? Seria se não fosse pelo fato de que estou a descrever minhas relações com minhas raízes. Isso é instintivo, algo como uma necessidade, quando percebo já foi, fiz de novo e nem notei, ou se notei, não me importei. Nunca quis ver isso como necessidade, me botaria pior do que já me enxergo nesse quesito, mas é inegável, eu faço isso sempre e me traz culpa, culpa por fazer assim, por não saber lidar melhor comigo mesmo, culpa por não conseguir ser melhor por eles.

Acho que no fim essa agressividade é só medo, insegurança que percorre nas minhas sinapses e eu devolvo com essa grosseria, “sutileza” de elefante essa minha que ainda estou na minha busca incessante por melhorar.

 
 
 

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5 comentários


Inês Brasil
Inês Brasil
01 de jul. de 2025

e a grama foi crescendo por todos os lados sem parar no meu quintal

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Jorge M
Jorge M
01 de jul. de 2025

Interessante a forma de conduzir o texto, deixando tudo junto, unindo a reflexão que foi apresentada ao longo da crônica, com um ótimo conteúdo também. Parabéns pelo texto e por toda a jornada nessas crônicas, Botânico, uma honra ter estado na mesma leva de textos que você.

Editado
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Maru Serano
Maru Serano
30 de jun. de 2025

"Sutileza de elefante", adorei. O importante é você reconhece esse lado agressivo, de forma que se torna mais fácil lidar com ele. Talvez ajude canalizar essa raiva para outras coisas. Boa crônica.

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Peter Parker
27 de jun. de 2025

Boa crônica, Botânico! Assumiu desde o início sua personalidade, trouxe alma para seus textos e reconhece o que é para você sua pior característica. Tenho certeza de que você dará um jeito para lidar com essa escuridão que lhe assombra. 🕷️

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Izabel Dos Prazeres
Izabel Dos Prazeres
25 de jun. de 2025

Querido, dentre nós, arrisco dizer que você foi o que mais trabalhou a identidade da sua persona, quase tornando-a num personagem.

Nessa crônica, é interessante ver como você não só assume sua sombra, mas já busca meios de lidar com ela e melhorar enquanto pessoa.

Continue buscando aprender e evoluir para crescer como ser humano e como escritor. Parabéns pela jornada!

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