Complexo de cronômetro
- Eva Rubisco
- há 2 dias
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Vez ou outra me pego cantarolando um trecho do samba “O Amanhã”, um dos meus favoritos. O trecho mais famoso é embalado por uma melodia animada (ou um pouco mais calma em algumas releituras), e diz: “Como será o amanhã?/Responda quem puder/O que irá me acontecer?/ O meu destino será como Deus quiser”. Talvez você já tenha ouvido por aí, principalmente se é do Rio e gosta de Carnaval.
Para mim, esse trecho define a maior parte dos meus dias. Penso no amanhã, seja o dia seguinte, daqui a um mês ou daqui a cinco anos. Não importa quando, estou sempre pensando à frente. Seria isso um indicativo de organização e planejamento? Ou seria um sinal de uma ansiedade sobre o que está por vir?
Penso no futuro e quando percebo o momento já passou. O dia já se foi. Minhas férias acabaram. As pessoas que amo estão envelhecendo. Os dias estão passando e sigo pensando no amanhã.
Tento viver o presente, me preocupar com o que está ao meu alcance. Todos os dias faço um exercício constante de me concentrar no hoje. Não amanhã (ou ontem). Às vezes pode ser difícil, mas assim como na canção, espero ter apenas uma confirmação: que eu serei(ainda mais) feliz.
— Eva Rubisco

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